
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
O TARIFAÇO DO BRASIL FAVORECE A ARGENTINA
Publicado em 16 de julho de 2025Em texto que postamos recentemente, após o encontro do BRICS no Rio – sem bola de cristal ou uso da cartomancia – previmos que os discursos ameaçadores de Lula (antiamericano) se insurgindo contra a nova ordem econômica mundial (em fase de implantação) traria como resultado, o fim do bloco. A ausência de XI-Jinping – líder da segunda maior potência comercial do planeta – selou o destino agonizante do BRICS. A Argentina, antes candidata, abdicou do convite e está se preparando para deixar o Mercosul. Preferiu “acampar” no gramado da Casa Branca, nutrindo a esperança de ser enxergada e conquistar prosperidade.
Hoje (16/07/2025), manchete da grande mídia nacional, anuncia que Lula está à procura de um negociador de “peso”, junto ao governo Trump. Quem seria o salvador da Pátria? Um país, cujo governo vive do improviso, sem metas ou planejamento, não dispõe de credibilidade junto às seculares economias estruturadas, com projetos de investimentos, cadeias produtivas e rotas comerciais estabelecidas em longo prazo. Desde a Proclamação da República, os Estados Unidos tem um Embaixador no Brasil. Após a posse de Donald Trump, a Embaixada foi reduzida a uma “Representação Diplomática”, nos nivelando ao Congo, Guiné Bissau, Líbia… Ainda não nomearam um novo Embaixador.
Um mal presságio para o nosso destino. Torna-se evidente, que estamos fora do “radar” dos interesses da única superpotência do planeta.
Em toda América do Sul (exceto a Venezuela) existe e está funcionando, uma Embaixada norte-americana.
A Argentina fechou acordo com Washington, e conseguiu tarifa “zero” para 80% dos produtos que exportam para os Estados Unidos. Soja, carne, trigo – que iriam pagar 10% – serão isentados. Em curto prazo, setores do Agronegócio Brasileiro, fronteiriços com a Argentina, irão celebrar acordos comerciais, através da criação de “trades” (filiais ou Matrizes de empresas brasileiras), para escoar a produção. Iremos levar progresso, gerar empregos, renda, divisas e qualidade de vida, aos “Los Hermanos”. Quem imaginaria tamanha reviravolta? O “louco” Javier Milei – termo usado pela nossa mídia esquerdopata – figura que Lula elegeu como inimigo ideológico e quis derrotá-lo, enviando dinheiro e marqueteiro, hoje se apresenta como a única alternativa para minimizar os efeitos da “tempestade perfeita” que atingirá o gigante avermelhado.
Os Estados Unidos só reconhecerão como principal “negociador” o próprio Lula. Ele é o presidente do Brasil. Tem que se ajoelhar, se desculpar, e tentar obter o perdão de Trump. Sua velha tática de “terceirização” das crises por ele criadas, não funcionará desta vez. Não adianta mandar seu vice, ou o Ministro das Relações Exteriores. O Congresso poderia até se credenciar para missão, e seria mais respeitado que o próprio Lula. Porém, teria que mostrar “serviço”, e provar sua independência, se posicionando como as grandes democracias. São os legítimos representantes do povo. Para tanto, o primeiro passo seria oferecer “Segurança Jurídica”. Transformar através de uma PEC, o STF como um Tribunal Constitucional. Acabar com Atos Monocráticos e colocá-lo no seu devido lugar. Como um Poder não eleito, sua função é de guardião da Constituição, e não interprete a seu modo, das Leis votadas pelo Parlamento.
Infelizmente, 80% do Parlamento Brasileiro só olham para seus umbigos. Vendem a alma da nação, em troca de “Emendas Parlamentares”, e grandes lobby que os tornam, em quatro anos, mega empresários. O destino é irônico. A tão sonhada República Sindicalista de Leonel Brizola, voltada para pobreza e desigualdade social, se concretizou de forma inversa. Os Poderes “sindicalizaram-se” para defenderem privilégios, supersalários, enriquecimento ilícito, engessando o país em programas sociais, desencorajando o empreendedorismo, deixando anos luz o país distante da produtividade, ampliando os bolsões de pobreza. As consequências são drásticas, com o aumento da criminalidade em todos os níveis. Quando a Justiça libera um traficante, preso com 16 fuzis e uma tonelada de cocaína, numa audiência de custódia, dispensa-se comentários sobre o nosso futuro. O Ministro Dias Toffoli, ao anular ontem (15/07/2025) todos os processos de Alberto Youssef – principal delator da lava-jato – que ainda conseguiu recuperar 6,0 bilhões de dólares, acabou com a imagem do país. Pôs todo o planeta contra o Brasil, e fortaleceu com sua decisão, a visão do mundo sobre nosso país: o paraíso da impunidade, local predileto da bandidagem internacional.
