
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
ERRO NA COMUNICAÇÃO EXPÕE O GOVERNADOR JOÃO AZEVEDO A APUPOS
Publicado em 11 de julho de 2025Onde estavam os aliados do governador João Azevedo e suas “tropas de choques”, na última segunda-feira (07/07/2025), por ocasião da solenidade de inauguração dos novos refletores do estádio o Amigão? Um público imperceptível – cerca de 1.500 pessoas – perdido pelas arquibancadas ao invés de o aplaudir em forma de gratidão, retribuiu o presente com uma estrondosa vaia. Um ato de ingratidão.
O contratempo e desconforto servem como alerta para o governador João Azevedo, que deve ter enxergado, em primeiro lugar, a irredimível falha de sua equipe, principalmente dos seus auxiliares que cuidam do Cerimonial e das Comunicações. Por outro lado, o malfadado evento deverá levá-lo a uma profunda reflexão sobre a importância e o peso das lideranças políticas que o apoiam em Campina Grande. Eles valem o quanto pesam, aos cofres do governo? Onde estavam alguns milhares de contratados, indicados por políticos locais, e por que não foram convocados para prestigiarem a cerimônia?
O momento não poderia ser pior para o vice-governador Lucas Ribeiro, ex-vice-prefeito de Campina Grande, filho da senadora campeã de votos, Daniella Ribeiro, sobrinho do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e neto do ex-prefeito e ex-vice-prefeito, Enivaldo Ribeiro. Lucas será o provável candidato a governador, sucedendo João Azevedo. Por que não trouxe toda sua família, e fez uma grande festa?
Como “campinista” e simples escrevinhador de província, nos desculpamos em nome de muitos outros, que também não foram convidados. Erraram os assessores e políticos da base aliada do governo na Rainha da Borborema quando subestimaram a importância do Amigão para Campina Grande. Distante do litoral, a Capital do Trabalho não tem belas praias, que formam grandes centros de lazer. Só lhes resta “O Amigão”, como área e espaço de socialização, destino domingueiro para a população dividida entre torcedores do Treze e Campinense. O governador perdeu uma grande oportunidade para ser aclamado, pelo menos, por vinte mil pessoas. Deveria ter contratado um dos grandes times do sul do país, que não estavam disputando a Copa do Mundo de Clubes da FIFA nos Estados Unidos. Realizasse um amistoso, com portões abertos, escolhendo uma das equipes de Campina Grande (Treze ou Campinense) para a disputa.
No próximo 13/08/2025 completam cinquenta anos da inauguração dos refletores do Amigão (1975). O então governador recém empossado, Ivan Bichara Sobreira, foi aplaudido por um público pagante de 27.450 pessoas, que assistiram Treze x Flamengo. Uma noite emocionante e inesquecível. O Flamengo comandado por Zagallo (técnico tricampeão do mundo) tinha Zico, Adílio, Adão e Júnior (paraibano de Cabedelo). Apesar do Treze ter sido derrotado, abriu o placar. O centroavante João Paulo, no início da partida, roubou uma bola de Júnior e mandou para o fundo das redes, defendida pelo goleiro do Flamengo. Um delírio sem precedentes na história do Estádio. Na hora, pensamos que as arquibancadas iriam desabar.
O saudoso Ivan Bichara Sobreira era um homem bom. Atencioso, humilde, tratava todos com cordialidade e respeito. Atendeu a todos os pleitos de Campina Grande, prestigiando até os que estavam “cassados” pelo regime militar – proibidos de exercer funções públicas – como o genial Edvaldo do Ó. Ajudou-lhe a fundar a Bolsa de Mercadorias da Paraíba. Renunciou ao cargo, e foi candidato ao Senado Federal em 1978, com apoio do prefeito Enivaldo Ribeiro, que vinha realizando uma grande gestão. Mas, não conseguiu transferir seus votos. Dr. Ivan, apesar de ter obtido mais sufrágios nas urnas que o então deputado federal Humberto Lucena (MDB), o vereador Ari Ribeiro, na sublegenda, tomou-lhe mais de 50 mil votos dentro de Campina Grande, o levando a uma derrota totalmente imprevisível.
