Emir Gurjão

Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.

Lula trocou a diplomacia pela ideologia e colocou o Brasil na mira dos EUA

Publicado em 10 de julho de 2025

O presidente Lula, ao reagir de forma ideológica e precipitada às ameaças de tarifas feitas por Donald Trump, cometeu um equívoco estratégico que pode custar caro ao Brasil em empregos, exportações e investimentos.

O Brasil representa menos de 2% das importações dos Estados Unidos. Já os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Isso significa que, se os EUA fecharem as portas para produtos brasileiros, nós sentimos. Se o Brasil faz o mesmo com produtos americanos, os EUA nem percebem.

O Brasil é como uma mercearia de bairro que compra a maior parte de suas mercadorias em um grande supermercado (os EUA). Se o supermercado deixa de vender para a mercearia, ela sofre. Mas se a mercearia para de comprar, o supermercado nem nota.

As bravatas do governo brasileiro só piorou a situação?
Trump declarou que, se eleito, aumentaria tarifas de importação para proteger a indústria americana. Até aquele momento, o Brasil não era o alvo principal. As tarifas de 10% sobre aço e alumínio já estavam previstas, e não havia hostilidade declarada.

Lula respondeu com declarações públicas provocativas, como:

“O mundo mudou. Nós não queremos um imperador.” (durante o encontro do BRICS)

“O Brasil é um país soberano… não aceitará ser tutelado por ninguém.”

E ameaças de “reciprocidade econômica” via nota oficial da Presidência.

Essas falas foram lidas como um ataque político-ideológico. Resultado? Trump respondeu subindo o tom e cogitando tarifas de até 50% sobre todos os outros produtos brasileiros.

A política externa não é Palanque e nem lugar para discursos de campanha. Quando um presidente age com viés ideológico em assuntos comerciais, ele: Personaliza o conflito, tornando-se alvo direto.

Se um funcionário briga com um dos maiores clientes da empresa por opinião política, ele não está defendendo valores —pode colocar a empresa em risco.

A situação lembra uma cena de circo mal montada. O palhaço que deveria apenas animar a plateia com leveza e inteligência, mas decide provocar o leão para arrancar aplausos do público. Faz piada, gesticula, cutuca o leão com palavras. O problema é que o leão não está brincando — ele reage.

O palhaço sai do papel de articulador e vira alvo. A graça vira risco.

Conclusão
O governo Lula trocou estratégia por ideologia, diálogo por discurso, cautela por confrontação. O ex-embaixador Rubens Barbosa foi direto: “Até aqui o Brasil estava bem… agora demos uma justificativa para o Trump aumentar essas tarifa”. Com isso, o Brasil pode perder muito mais do que tarifas. Pode perder confiança internacional, competitividade e oportunidades de investimento.

Em vez de fazer cena para a plateia, o Brasil precisa de diplomacia técnica, silenciosa e eficaz. Porque, em política externa, o verdadeiro estrategista é aquele que age nos bastidores — não quem tenta brilhar no picadeiro. Escrito por Emir Candeia Gurjão ,as 06:18 horas do dia10 de Julho de 2025.