Emir Gurjão

Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.

Dinheiro, Tradição e Competência: Chelsea X Fluminense, Sousa FC X Treze FC

Publicado em 8 de julho de 2025

Em 2024, os orçamentos de algumas instituições públicas e privadas revelam mais do que simples números. Mostram visões de mundo, formas de gestão, prioridades e, principalmente, os limites e os alcances do dinheiro. No futebol, então, essa disparidade salta aos olhos.

Vamos começar pela comparação que, neste momento, está em campo: Chelsea FC vs Fluminense FC.

Chelsea x Fluminense: 41 vezes mais dinheiro
O Chelsea, gigante inglês, tem um orçamento estimado em R$ 20 bilhões. O Fluminense, tradicional clube brasileiro, opera com R$ 485 milhões. Isso significa que o Chelsea tem uma receita 41 vezes maior.

Essa diferença se reflete em tudo: salários milionários, contratações bilionárias, estádio de padrão internacional, estrutura de marketing global e uma vitrine que alcança o planeta. O Chelsea é um símbolo do futebol transformado em negócio puro — e dos mais rentáveis.

Já o Fluminense é a alma do futebol brasileiro: tradição, paixão, história. Nas Laranjeiras se formaram gerações de ídolos. Com um orçamento bem mais modesto, o clube carioca depende da sua base, da criatividade e da conexão com o torcedor. É David enfrentando Golias em pleno século XXI.

Sousa x Treze: a surpresa do Sertão
Saindo do cenário internacional e voltando ao nosso quintal, encontramos outra comparação reveladora: Sousa FC x Treze FC.

A cidade de Sousa tem uma receita municipal de R$ 267 milhões. Já Campina Grande, casa do Treze, opera com R$ 2 bilhões – ou seja, oito vezes mais.

Apesar disso, o Sousa FC foi campeão paraibano em 2024, enquanto o Treze FC passou em branco. Isso é ainda mais surpreendente se considerarmos que ambos os clubes trabalham com orçamentos parecidos, embora em cidades com estruturas econômicas muito distintas.

A pergunta é inevitável: será que o Sousa FC é mais bem gerido que o Treze FC? Parece que sim. Com menos recursos na cidade, o clube sertanejo fez mais com menos. Estratégia, foco e talvez uma gestão mais eficiente fizeram a diferença.

Dinheiro é importante. Mas não é tudo.
O caso do Chelsea mostra que, em níveis globais, o futebol virou uma indústria. Mas o Fluminense nos lembra que ainda há espaço para tradição, formação e paixão. Já Sousa e Treze mostram que, mesmo no cenário local, não é só o tamanho da cidade ou da verba que determina o campeão — é o que se faz com ela.

Reflexão Final
O futebol é um espelho da sociedade. O Chelsea compra estrelas, mas o Fluminense forma ídolos. Campina Grande tem estrutura, mas Sousa tem foco. Dinheiro ajuda, claro. Mas dinheiro sem competência é desperdício; competência com planejamento pode vencer até o favoritismo.

Em um país como o Brasil, onde tantas vezes o recurso é mal aplicado, o exemplo do Sousa FC deveria ser estudado — dentro e fora dos gramados.

Porque no fim das contas, o jogo é jogado, o dinheiro pesa, mas a bola pune quem não sabe o que faz com ele. Escrito pelo Torcedor do Treze FC Emir Candeia Gurjão, no dia 08 de Julho de 2025, um dia após o nosso querido Galo da Borborema decepcionar mais uma vez, mas, vamos em frente em 2026 vai ser diferente, vamos ganhar tudo.