
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
ADRIANO GALDINO PODERÁ SER O CANDIDATO DO PT NA PARAÍBA
Publicado em 2 de julho de 2025Sem a menor chance de ser apoiado pelo governador João Azevedo (PSB), e na busca de materializar seu sonho – disputar o pleito para governo do Estado em 2026 – falta ao presidente da ALPB, Adriano Galdino, uma legenda forte, com densidade eleitoral histórica em toda a Paraíba, como fora no passado o PMDB e PSDB.
Diante deste cenário, o único partido que poderá acolhê-lo é o PT. Será uma disputa renhida entre a “máquina” federal e a estadual. O PT, desde 2002, não tem candidatura própria na Paraíba. Figurou uma vez como coadjuvante (Cartaxo vice de Maranhão 2006) e nas demais como “figurante”. Talvez este tenha sido o motivo do seu atrofiamento nos municípios. Tem uma representação pífia nos Parlamentos estadual e federal, e jamais elegeu um Senador da República. O desafio – tarefa árdua – será “colar” o voto de Lula, com seu candidato a governador.
Desde 2002, o PT não perde uma eleição presidencial na Paraíba. Os números são inquestionáveis. Em 2002 Lula obteve 984.994 votos (57,02%) contra 742.488 de José Serra (42,98%). Na disputa estadual, paradoxalmente, venceu Cássio Cunha Lima (PSDB) derrotando Roberto Paulino apoiado por Lula (PT). Em 2006, o PT e Lula dispararam com 1.478.387 (75,01%), Geraldo Alckmin 492.524 (24,99%).
Cássio (PSDB) foi reeleito, derrotando o candidato de Lula, José Maranhão. Fenômeno inexplicável.
Chegando em 2010, o PT com Dilma alcançou 1.229.391 (61,55%) contra José Serra 767.919 (38,19%). José Maranhão apoiado pelo PT, no Palácio da Redenção, perdeu para Ricardo Coutinho (PSB) apoiado por Cássio PSDB. Em 2014, Dilma (PT) disputando a reeleição atingiu 1.380.988 (61,55%) derrotando Aécio Neves (767.916 – 35,74%). Ricardo Coutinho foi reeleito pelo PSB no segundo turno, com apoio do PT.
No primeiro turno, perdeu para Cássio Cunha Lima (PSDB).
Lula preso, Dilma afastada por um impeachment, em 2018 o PT/PB elegeu o desconhecido Fernando Haddad com 1.451.293 (64,9%), contra 782.143 (35,02%) de Jair Bolsonaro. Apoiado por Ricardo Coutinho, João Azevedo venceu no primeiro turno Lucélio Cartaxo (PV). Em 2022, Lula de volta à disputa saiu das urnas com 1.451.293 (66,62%), contra 802.502 (33,38%) de Jair Bolsonaro.
Durante duas décadas, o PT sofreu uma derrocada retumbante no Norte, Sul, Sudeste, Centro-Oeste, motivada por dezenas de escândalos, que vão do mensalão ao petrolão, e agora “pensalão” – desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS. Mesmo assim, ainda permanece muito forte no Nordeste. Na Paraíba – até o momento – talvez a mudança tenha sido inexpressiva. Bolsonaro triplicou o valor da bolsa renda, criou o programa Auxílio Brasil no período da pandemia e o manteve no pós-pandemia. Entretanto, pelo que aparenta, o povo nordestino tem uma dívida eterna com Lula, por um programa social criado por FHC.
Nada acontece por acaso. O presidente estadual do PT, Jackson Macedo, sugeriu há duas semanas candidatura própria ao governo em 2026.
Adriano Galdino, em entrevista, confessou que sempre votou em Lula. Foi Lula ontem, hoje e amanhã. Noite de São João, em Pocinhos (sua terra natal), fez um gigante comício pró Lula, na ocasião das comemorações dos festejos. Público que Lula ainda não juntou em espaços públicos abertos. Por telefone, entrevistado pelo jornalista @arimateiasouza (Paraibaonline), Galdino revelou que já foi convidado diversas vezes para almoçar com Zé Dirceu em Brasília. Para surpresa da classe política paraibana, na última segunda-feira (30/06/2025) a ministra Gleisi Hoffmann, em meio à crise da derrota do IOF, recebeu no final da tarde Adriano Galdino e seu irmão Murilo.
Ninguém da Paraíba chega a Gleisi sem a recomendação ou conhecimento do senador Veneziano Vital do Rêgo, e do ex-governador Ricardo Coutinho. Sua esposa, Amanda Rodrigues, é a Secretária Executiva da pasta comandada pela ainda presidente do PT. É claro que a visita não foi para pedir pelo governo João Azevedo. O momento era completamente inoportuno. E quem deveria estar ao lado de Adriano Galdino seria o próprio governador. O PT está decidido a lutar em sua última trincheira, mesmo perdendo a guerra terá um palanque próprio em cada Estado do Nordeste. Talvez as exceções sejam Pernambuco, Alagoas e Maranhão. Mas, com vices indicados pelo PT. Nas pesquisas, é a única região que o aprova, com índices expressivos, como ótimo e bom.
