Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 Campina Grande · PB
100%
A Palavra OnlineA Palavra Online
Últimas
Presidente da FIEPB anuncia reajuste salarial de 44,6% para técnicos de segurança do trabalho do SESI ParaíbaNovo Caged: Campina Grande soma mais de 800 novos empregos em setembro e chega a 6.345 em 2026Com expectativa de receber 6,5 mil visitantes na Paraíba, Mundo SENAI tem início nesta quinta-feira (5)SESI Museu Digital promove exposição que valoriza a cultura afro-brasileiraCastramóvel estadual disponibiliza 280 vagas para castração de cães e gatosProjeto Escola Amiga dos Animais leva educação e mobiliza mais de 250 crianças em João PessoaLucas Ribeiro assina decreto para incentivar produção de álcool anidro e fortalecer setor sucroalcooleiro na ParaíbaPrefeitura de Campina Grande lança 13ª edição do Natal Iluminado com programação especial até janeiroParlamentares destacam o Novembro Azul e a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstataPolícia mlitar de Brasília retifica notícia “imprecisa” sobre ocorrência envolvendo Ricardo CoutinhoPresidente da FIEPB e Nordeste Forte visita a sede da OAB Paraíba e projeta parcerias entre as instituiçõesEducação de Campina abre XXVIII edição dos Jogos Internos da Rede Municipal nesta sexta-feira, 06Presidente da FIEPB anuncia reajuste salarial de 44,6% para técnicos de segurança do trabalho do SESI ParaíbaNovo Caged: Campina Grande soma mais de 800 novos empregos em setembro e chega a 6.345 em 2026Com expectativa de receber 6,5 mil visitantes na Paraíba, Mundo SENAI tem início nesta quinta-feira (5)SESI Museu Digital promove exposição que valoriza a cultura afro-brasileiraCastramóvel estadual disponibiliza 280 vagas para castração de cães e gatosProjeto Escola Amiga dos Animais leva educação e mobiliza mais de 250 crianças em João PessoaLucas Ribeiro assina decreto para incentivar produção de álcool anidro e fortalecer setor sucroalcooleiro na ParaíbaPrefeitura de Campina Grande lança 13ª edição do Natal Iluminado com programação especial até janeiroParlamentares destacam o Novembro Azul e a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstataPolícia mlitar de Brasília retifica notícia “imprecisa” sobre ocorrência envolvendo Ricardo CoutinhoPresidente da FIEPB e Nordeste Forte visita a sede da OAB Paraíba e projeta parcerias entre as instituiçõesEducação de Campina abre XXVIII edição dos Jogos Internos da Rede Municipal nesta sexta-feira, 06
Uncategorized

1/x — Os Diferentes Que Deram Sabor ao Nosso Tempo – Da Era Analógica

100%

Quando o mundo parecia mais simples (mais analógico) — ou talvez só mais verdadeiro — havia pessoas que não cabiam em categoria nenhuma. Gente que fugia dos rótulos, das normas, das regras sociais. Eram os chamados “1/x”, expressão que define o indefinível: pessoas únicas, irrepetíveis, fora da curva.

Hoje, muitos desses diferentes estão partindo. E com eles vai embora uma parte da alma popular que animava ruas, praças, bastidores da política e mesas de bar.

Estão partindo os diferentes de uma época. Gente que não se encaixava em molde nenhum. Alguns os chamavam de “1/x” — uma forma simbólica de dizer que eram diferentes e diferenciados, impossíveis de rotular. Havia entre eles os mais intelectualizados, os mais ousados, os mais espirituosos… e todos, sem exceção, únicos.

Essa galeria de personagens era composta por nomes que o tempo não apaga da memória de quem os conheceu:

Zeca Boca de Bacia, um espetáculo à parte. Engraçadíssimo, presença garantida nos bastidores da política paraibana, especialmente ao lado de Ronaldo Cunha Lima — outro “1/x”, talvez um dos políticos mais encantadores que o Brasil já viu. Zeca tinha o dom da fala, do improviso, da piada que acertava em cheio sem ferir.

Pedro Cancha foi o primeiro homem que vi andando pelas ruas vestindo uma saia — e aqui é preciso dizer: não era travesti, apenas gostava de se mostrar diferente. Usava a roupa como quem usa um manifesto, como quem quer deixar claro que ser igual nunca foi o seu plano. Era provocador sem ser vulgar, excêntrico sem precisar de palco.

Baliu de Campina, o forrozeiro de alma pensante. Um intérprete de peso, que misturava a poesia das músicas com a sagacidade das palavras. Suas tiradas — bem-humoradas, sarcásticas e afiadas — faziam qualquer roda virar plateia.

Ratinho, sempre com seu cigarro de fumo natural — o famoso pé-de-burro — carregava aquele jeito de encrenqueiro que só os corajosos têm. Dizia o que pensava, como pensava. Sem filtro, mas com personalidade. Era presença certa nos cantos mais populares, onde o improviso da vida se encontra com o riso fácil.

Biu do Violão, virou lenda por nunca se separar do seu instrumento. Defensor ferrenho do que chamava de “o Rei” — Roberto Carlos. Vivia tentando cantar suas músicas, mesmo sem a voz ideal, mas com uma devoção que emocionava. Para ele, não havia no mundo ninguém como Roberto.

Henrique do Vale, cantor de mão cheia, animava qualquer ambiente com irreverência e alegria. Era amigo, artista e contestador, daqueles que quebravam narrativas com uma gargalhada. Um “1/x” alegre e autêntico.

Essas figuras são mais que lembranças — são símbolos de um tempo em que ser diferente era um ato de coragem e liberdade.

Hoje, os citados já se foram. Outros ainda vivem, resistindo como faróis numa noite de mesmices. Precisamos aproveitá-los, ouvi-los, rir com eles. Porque a irreverência, o improviso, o exagero, a coragem de ser o que se é — tudo isso está virando raridade.

O mundo anda com pressa, digital demais, calculado demais, cada vez menos analógico. E figuras como essas eram justamente o contrário: eram a pausa, o improviso, a cor fora da paleta.

Quando um “1/x” se vai, o mundo perde um pouco da sua originalidade. Fica mais silencioso, mais previsível, mais chato.

Por isso, celebremos enquanto é tempo. Porque os diferentes — esses sim — fazem falta.

Eles não eram normais. Eram únicos.

Eram os que faziam a vida mais interessante só por existirem.

Zeca Boca de Bacia — o humor em pessoa.
Pedro Cancha — com sua saia e sua ousadia.
Baliu de Campina — forrozeiro filosófico e afiado.
Ratinho — com seu cigarro pé-de-burro e sua coragem.
Biu do Violão — apaixonado por Roberto Carlos e por um bom acorde.
Henrique do Vale — irreverente, talentoso e amigo para toda hora.
Muitos já se foram. Alguns ainda resistem.
Mas todos deixaram sua marca.

Vamos celebrar esses “diferentes”, antes que o mundo fique todo igual. Escrito por Emir Candeia Gurjão as 05:51 horas do dia 12 de Junho de 2025, dia dos namorados, dia em que dedico a minha eterna namorada – Maria de Fatima Melo Guejão

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.

Deixe seu comentário