
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
O Governo Mira em Quem Gira a Economia e em Direção ao Cofre do Cidadão , Punindo quem financia o Brasil que produz
Publicado em 11 de junho de 2025O governo brasileiro mais uma vez quer elevar impostos em vez de cortar gastos. São as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e as apostas online (bets).
As LCIs e LCAs são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. Com objetivo de canalizar o dinheiro do pequeno investidor para o financiamento de imóveis e do agronegócio — dois dos motores mais relevantes do Brasil.
O governo, ao propor tributar esses instrumentos, não só reduz sua atratividade, como prejudica quem toma crédito nessas áreas. A consequência direta será menos investimento em construção, menor acesso ao crédito rural e desestímulo ao investidor conservador que financia o setor real da economia.
No mesmo movimento, pretende-se elevar a tributação sobre as bets, as casas de apostas digitais, de 15% para 18% sobre a receita bruta. Isso significa, na prática, que o apostador receberá prêmios menores com a mesma aposta, enquanto as plataformas — muitas delas já reguladas e legalizadas — pensarão duas vezes antes de manter operações no país. O risco? Estimular o mercado ilegal e informal, sem controle, sem proteção, sem arrecadação.
Não para por aí. O governo também propõe aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras. Mas quem paga é o consumidor, com juros mais altos, tarifas bancárias reajustadas e crédito mais difícil. Fintechs, que atuam com margens apertadas e foco em inclusão, também sofrerão — e podem reduzir investimentos ou encarecer seus serviços.
É como se um restaurante decidisse reformar a aparência e dividisse a conta entre todos os clientes, sem perguntar se alguém pediu uma nova fachada. Pior: estrangeiros e investidores que frequentarem esse restaurante também pagaram a conta, o que levará a procurar outros restaurantes (levando seu capital para outros países com menos apetite fiscal).
A lógica é sempre a mesma: não se corta onde deveria (na máquina pública), e sim onde dói menos para quem arrecada: no bolso do cidadão. Hoje a vítima é o investidor em LCI, o apostador digital ou o usuário do sistema financeiro. Amanhã será qualquer um de nós, porque o Estado cria o hábito de gastar sem limites — e depois tributar para cobrir o buraco.
A pergunta? vamos continuar premiando o Estado gastador ou vamos proteger o investidor, o trabalhador e o empreendedor que movem o Brasil?
Escrito por Emir Candeia Gurjão , as 07:05 horas do dia 11 de junho de 2025, véspera do dia dos namorados. É o 162.º dia do ano no calendário gregoriano . Faltam 203 dias para acabar o ano.
