
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
IOF: GOVERNO JOGA A ISCA E FISGA O CONGRESSO
Publicado em 30 de maio de 2025No último dia 27/05/2025 a CGU mandou inquirir o sindicato de Frei Chico, irmão do presidente Lula, com o propósito de investigar a contratação e pagamento de 15 milhões de reais a uma ONG de São Paulo, contratada para tirar o lixo da tribo Ianomâmi no distante Estado de Roraima.
A notícia chegou ao Palácio do Planalto como uma bomba. Tinham que tirar do foco e da mídia o escândalo do INSS. Como não existem amadores em Brasília – especula-se que a ideia foi do marqueteiro Sidônio Palmeira – o governo teria que criar um “fato novo” e aberrante, arcando momentaneamente com um desgaste calculado. Posteriormente recuaria, arrefecendo os ânimos do Congresso, e a imagem de Lula permaneceria intacta.
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad – escalado para missão – saiu do casulo e inesperadamente apareceu com um Decreto Presidencial aumentando a alíquota do IOF -Imposto sobre Operações Financeiras -, elevando seu índice para um patamar estratosférico. A justificativa apresentada foi a falta de 30 bilhões para cumprir a meta do Arcabouço Fiscal. Todos enlouqueceram. O primeiro a sair atirando foi o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Este ato teria obrigatoriamente que passar pelo BC, e pelo COPOM. O IOF é um imposto fixo, com caráter regulador, não arrecadador.
Mesmo incrédulos, diante do absurdo, os bancos entraram em polvorosa. O Congresso Nacional tomou uma paulada na cabeça. Parlamentares nunca foram abordados sobre o tema. Nem os líderes do governo nas duas Casas Legislativas tinham informações sobre o ato intempestivo. Quanto ao povão, totalmente ignorante, até hoje não sabe do que se trata. Na TV ou nas redes sociais, comentam e debatem sobre um novo imposto, criado pelo governo, mas só atinge a classe média alta e os ricos. A Febraban entrou em cena e cobrou dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados providências urgentes. O próprio presidente da “entidade”, furioso, partiu para Brasília e pessoalmente foi ao Ministério da Fazenda.
Caindo no “conto do vigário”, as principais entidades que representam o setor produtivo do país – CNC, CNI, CNA, CNT – assinaram uma nota conjunta condenando o aumento do IOF, repudiando a medida do governo alertando para seus efeitos devastadores sobre a economia. Porém, ninguém atentou para um simples detalhe: a bolsa não caiu e o dólar não subiu. A “sensível” Faria Lima tinha sido avisada com antecedência. Tudo não passava de encenação, ou mais uma “cortina de fumaça”. Aliviado, Lula veio ao interior da Paraíba entregar mais um trecho da transposição do São Francisco, levando água de Cachoeira dos índios (PB) para o reservatório de Santa Cruz (Apodi-RN), barragem com capacidade de 480 milhões de m3. Em seu discurso, invocou o testemunho de Deus.
Segundo ele, Deus deixou o sertão sem chuvas e seco porque ele viria trazer a água. Ontem (29/05/2025) em outro comício, para um público do MST, ao lado de Fernando Haddad ironizou com desprezo o “mercado”. Querem que o governo poupe. Para que?
Na Câmara e no Senado a ficha começou a cair ontem. Galípolo silenciou, Febraban emudeceu, a bolsa continuou estável, e o dólar caiu. O objetivo do Palácio do Planalto foi alcançado. Nenhum jornal, telejornal, site de notícias, comentou mais nada sobre a CPMI do INSS. Até o julgamento do STF perdeu espaço na mídia. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, após reunião com os líderes partidários, concedeu uma entrevista coletiva – escoltado pelo deputado Lindbergh Farias, esposo da Ministra de Relações Institucionais – pagadora das emendas parlamentares. Respondendo às perguntas dos repórteres, com uma postura de destemido, notificou que deu um prazo ao governo de 10 dias para apresentar uma fonte de recursos compensatório (?). Se Fernando Haddad não tem 30 bilhões para cobrir o rombo fiscal, qual outra fonte ele pode apresentar como alternativa?
Como o marido traído é o último a saber, Alcolumbre e Motta fizeram papel de “bobos”. Desde o dia 14/04/2025 está na mesa de Lula autorização para realizar o leilão dos novos campos de petróleo, descobertos pela Petrobras e várias empresas, na área do pré-sal, e prontos para entrarem em operação. Estima-se o valor de 30 bilhões, pagos à vista. O governo não queria usar este dinheiro no momento. Está guardando para o ano vindouro (eleições 2026) recursos suficientes para bancar um “pacote de bondades”.
