ESPECIAL - Gestão de Karla não resiste às águas de março e como na famosa letra de Jobim cantada por Ellis Regina tudo aponta para "o fim do caminho"

06/04/2021
A "Árvore dos Bons Ventos" foi inaugurado com festa por Márcia Lucena na entrada do Conde
A "Árvore dos Bons Ventos" foi inaugurado com festa por Márcia Lucena na entrada do Conde

A gestão Karla Pimentel (PROS) na Prefeitura Municipal do Conde lamentavelmente parece mesmo não ter resistido às águas de março, como nos versos de Jobim tão magníficamente interpretados pela saudosa Ellis Regina onde tudo é o pau, é a pedra e “é o fim do caminho”.

Em apenas noventa dias - três rápidos meses – o vendaval que se abate sobre o rico Município do litoral sul paraibano é de dar dó, a denunciar a existência tão somente de um “resto de toco”, de um “caco de vidro”, de um “tombo da ribanceira”.

E ao povo condense sobra “no rosto um desgosto” e a lástima de não receber nem sequer o sutil consolo de que tudo possa melhorar.

Esse “fim da ladeira” que se anuncia tão precocemente na gestão da bela prefeita só difere da música de Jobim porque, nela, as águas de março fecham o verão simbolizando no fim do caminho a “promessa de vida em teu coração”.  

Os erros que essa noviça administração ousou copiar e reintroduzir no Conde, advindos das gestões pretéritas dos sogros ex-prefeitos escorrachados da vida pública por sentenças judiciais transitadas em julgado, são antecedentes nada recomendáveis.  

Como na letra de Jobim, resta para o coitado do iludido eleitor “a noite”, “a morte”, “o laço” e “o anzol”...  

De fato, não resta dúvidas:

“É madeira de vento, tombo da ribanceira/É o mistério profundo, é o queira ou não queira/É o vento ventando, é o fim da ladeira/É a viga, é o vão, festa da ciumeira/É a chuva chovendo, é conversa ribeira.”

Tirando a viagem dos sonhos da prefeita e seu marido Chefe de Gabinete a Fernando de Noronha para festejar bodas matrimoniais coincidindo com o aumento de mortes no Município em meio à pandemia do coronavírus, e a distribuição de 16 toneladas de peixe congelado à população mais vulnerável no advento desta Semana Santa, raras são as boas práticas públicas a se registrar, se bem que a viagem ao arquípelago necessariamente não se insere naquilo que se possa chamar de “boa prática”, a não ser para a consolidação familiar da alcaide.

MAL COMEÇO

A árvore dos bons ventos, de Wilson Figueiredo, no Conde | Virtu Uma obra de arte, elogiada por todos

Karla começou mal ao eleger como prioridade de Governo DEMOLIR em vez de CONSTRUIR.

Após polêmica, prefeitura do Conde explica retirada de “Árvore dos Bons  Ventos‘ – Parlamento PB O monumento foi arrancado à força por Karla, na primeira semana do seu Governo

Nem bem esquentou o assento e munida de pá, guincho e picareta correu a destruir a “Árvore dos Bons Ventos” na entrada do Município à beira da BR 101 só porque o monumento fora edificado pela antecessora e a inveja a implodia as entranhas...  

Botou no lugar uma âncora velha e enferrujada que hoje enfeia o ponto envergonhando nativos e visitantes!



No local da árvore Karla ‘plantou‘ uma âncora velha e enferrujada

Naquele “estilhaço na estrada” de que fala Jobim em sua divina letra certamente Karla, que justificou ser a árvore plantada por Márcia Lucena e destruída por ela prenúncio de coisa ruim, não tenha se dado conta de que poderia também o seu apressado ato ser “o fim da picada”, a “garrafa de cana”, o “projeto da casa”, o “corpo na cama”,  “o carro enguiçado”, daí agora poder vir a verificar: “é a lama, é a lama...”.

O feitiço nesse caso se voltando contra a feiticeira, dirão os mais vigilantes!

MUDANDO O TIME

Ao retornar de Noronha, e vendo-se acossada pela censura popular que desaprovou as férias prematuras ao tempo em que mortes pela COVID-19 aconteciam à porta da sua casa sem que sequer o programa de vacinação no Município conseguisse se desenvolver em ritmo pelo menos sofrível, Karla Pimentel decidiu mexer na equipe e aceitou uma indicação do seu guru na Assembleia Legislativa, Eduardo Carneiro, nomeando uma nova secretária para gerir a Saúde.

Nesse particular, dois detalhes merecem registro.

O primeiro, bastante irônico, porque ela conseguiu derrubar a antiga máxima comum no mundo futebolístico de que em time que está ganhando não se mexe; o segundo, porque carimbou a própria ineficiência (há quem diga ‘falta de coragem’) mantendo a Saúde acéfala por três meses à espera de que Arlete, uma ex auxiliar da sogra, encontrasse disposição para assumir o cargo.   

E tudo isso em tempos de pandemia...

DISTANCIAMENTO LEGISLATIVO

Praticamente sem maioria no Poder Legislativo, a falta de tato político de Karla aflorou logo na renhida disputa pela presidência da Câmara Municipal, quando teve de engolir o nome que não era o da sua preferência, mas do sogro Aluízio Régis, que deitou e rolou como nos velhos tempos em que governava a cidade com chibata nas mãos.

A peleja na Câmara fragilizou a base de Karla e sua primeira defecção alcançou um correligionário (Léo Carneiro) do mesmo partido dela, o PROS, embora a ele tenha sido dado um prêmio de consolação que a qualquer momento pode ser arrebatado das suas mãos: a presidência da Casa para o biênio seguinte.

O detalhe: articulador da eleição da Mesa da Câmara, Aluízio Régis convenceu os vereadores a também elegerem a Mesa vindoura, imaginando acalmar a ira de Léo, que por coincidência vem a ser sogro do vice-prefeito Dedé Sales, com quem em princípio a prefeita não deseja romper, embora o fantasma que paira sobre o gabinete dos vices condenses mostre um perverso histórico onde pelo menos os dois últimos vices brigaram e romperam com as titulares, deixando acéfala a vice-prefeitura do Município.

Outro detalhe: Aluízio Régis foi nomeado Chefe de Gabinete da Câmara e, na prática, é ele lá quem dá todas as ordens, menos ao insurreto Léo Carneiro, obviamente.

Restou a Karla correr atrás do vereador mais votado do pleito (Josemar da Pousada), que lhe fazia oposição e estava coletando assinaturas para instalar uma CPI do Lixo, cooptando-o para suas hostes, mas aumentando ainda mais o fosso entre ela e Carneiro, este agora às voltas com denúncias cabeludas sobre venda ilegal de terrenos nas praias locais com ajuda e endosso da sua mulher, não por acaso a dona do Cartório de Registro Imobiliário de Jacumã.

Um verdadeiro “ninho de cobras”, como assim classificou o investigativo jornalista Lelo do Jampa News, portal pessoense que 10 anos atrás já informava a criminosa prática e sofreu duras perseguições pelo casal Leo/Marilena.

SERVIDORES FANTASMAS

Outra grande chaga observada nesses meses iniciais do Governo Karla Pimentel diz respeito ao elevado número de servidores chamados fantasmas, aberração verificada na gestão anterior e que lhe deu mote de campanha quando garantiu extirpar dos limites do Conde tal escárnio.

A “fantasma” mais famosa da atualidade atende pelo nome de Rose Aparecida Pimentel Lotti Moreira, ex-mulher do vice Dedé Sales e com quem ele tem uma filha e foi nomeada logo no começo da gestão de Karla, em janeiro passado, com salário mensal fixado em R$ 2.500,00 que, obviamente, não tem tido a devida contrapartida laboral em face mesmo da distância que a separa da repartição aonde deveria dar expediente.

A Palavra Online O vice prefeito Dedé Sales tem na folha do Conde a atual (foto) e a ex-mulher, mais ilustre "fantasma" da cidade

Rose tem domicílio em Caldas Novas-GO e ao eclodir a denúncia da sua contratação, o vice prefeito disse que ela prestava serviços ao Conde em Brasília acompanhando pleitos de interesse da municipalidade, o que resultaria em economia para os cofres condenses, já que não há necessidade agora de mais ninguém se deslocar até a Capital da República porque a ex-consorte é competente e dá conta do recado.

O ‘BATALHÃO’ DO VICE E OS ‘EXÉRCITOS’ DOS SOGROS             

Digno de figurar no Guiness, o livro dos recordes, é o “batalhão” de parentes e/ou aderentes do vice prefeito Dedé Sales que, como já visto, começa com a ex-mulher na categoria “fantasma” e se estende pela esposa atual, por irmãos e irmãs, inclusive aquelas apenas por parte de pai, sobrinhos, cunhada etc. e que, mais amiudamente em outra oportunidade APALAVRA vai detalhar para melhor conhecimento público, embora atos e nomes estejam elencados no Sistema Sagres, do Tribunal de Contas do Estado.

Na verdade a atual gestão municipal do Conde tem sido nesse começo de administração um verdadeiro ‘guarda chuvas’ não somente para o vice Dedé Sales, mas também para os sogros da prefeita e seus Exércitos de áulicos espalhados pela região.   

A folha de pagamento de servidores da prefeitura está inchada de nomes ligados à família dos dois ex-prefeitos, a começar pelo Chefe de Gabinete da prefeita, Hermann Régis, nada mais nada menos que esposo de Karla e filho do mal arrumado casal que desastradamente governou o Município.

A contratação de serviços - essenciais ou não - passa pelo crivo dos dois também, com olhar prestativamente vigilante do filho que chefia o gabinete da dama, repartição onde Dedé precavidamente acomodou a esposa atual.

De contratos com valores elevados, como o do lixo que beira a casa dos R$ 3 milhões para um trabalho emergencial de apenas 180 dias, cujos ilícitos apontados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) continuam sob investigação, até o fornecimento de supostas quentinhas (refeições) para as secretarias da Administração e da Saúde - com ou sem licitação – tudo é entregue aos amigos dos ex-prefeitos como se eles tivessem voltado a chefiar o Conde.

AS QUENTINHAS

No dia 25 de fevereiro, através do empenho 424/2021, a senhora Rozeli Barbosa Guedes, que mora na rua Tertuliano de Castro, 101, aptº 106, bairro do Bessa, em João Pessoa, procuradora dos negócios imobiliários da mãe de Tatiana Lundgreen, foi beneficiada com um contrato de R$ 25.000,00 para fornecer em regime de urgência, com dispensa de licitação, quentinhas à Secretaria de Saúde.

Já no dia 02 de março em curso, através do empenho 570/2021, Dona Rozeli ganhou novo presente, desta vez um valor menor de R$ 11.826,00 para “mediante requisição diária e cardápio definido” entregar comida para a Secretaria da Administração.

Os dois contratos somam R$ 36.826,00 e a empresa de Dona Rozeli atende pelo nome fantasia ‘D’Kasa restaurante, marmitaria e quentinhas’, está ativa no CNPJ, mas o código de inscrição ressalva que a atividade fim da empresa se limita a “alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar”, o que não seria o caso das secretarias, configurando em tese uma anormalidade contratual.

No Governo Tatiana Dona Rozeli era importante na estrutura funcional, nomeada que foi como Diretora Geral da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária do Município, nada a ver com cozinhar feijão, arroz ou fazer saladas para servir quentinhas em Jacumã.

Na condição de funcionária graduada da prefeitura do Conde na gestão de Tatiana, mas atuando como tutora da mãe da prefeita, Jeranil, que faleceu em 2008, Dona Rozeli se envolveu em uma grande confusão quando do registro de uma venda imobiliária suspeita que teria levado o Cartório Lopes Carneiro, onde a tabeliã é sogra do atual vice-prefeito Dedé Sales, a ser citado como parcialmente responsável pela trama, publicada pelo portal JAMPA NEWS, de João Pessoa, mas que veio a ser desmentida por Dona Marilene, a tabeliã.

Passados 10 anos a denúncia, que envolve também o vereador Léo Carneiro, marido da tabeliã, volta com requintes bombásticos uma vez que chega pela boca insuspeita da cunhada do vereador, que seria a “laranja” da venda dos terrenos.

UM ‘ANDORINHA’ BUSCANDO FAZER VERÃO

Alheio às diatribes da gestão, um “anjo” existe e trabalha com afinco para ver Karla e seu Governo darem certo.

Por ironia do destino e das críticas antigas da prefeita, é um anjo forasteiro vindo dos Pampas, mas considerado hoje o mais filho dos filhos do Conde.

- “Eu tenho um novo olhar”, costuma avisar a amigos e conhecidos o bom gaúcho Eduardo Cassol, eleito vereador pelo MDB, indiferente a tudo que não seja projeto para fazer crescer o torrão onde empreende e gera emprego e renda.



Vereador Eduardo Cassol, o surpreendente "anjo" já observado com olhos vesgos na prefeitura

Cassol seria o que a letra de Jobim identifica “um pingo pingando”, “uma conta”, “um ponto”. Ou mais ainda: “É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando”.

Foi Cassol logo no primeiro dia da gestão quem correu em busca do Governo do Estado, pelas mãos do seu amigo deputado estadual Branco Mendes, para trazer caçambas que pudessem retirar parte do lixo amontoado nas praias e no centro do Conde.  

Foi Cassol, outra vez e com ajuda de Branco Mendes, quem trouxe uma patrol do DER para para entupir os buracos das estradas vicinais e facilitar a vida do homem do campo auxiliando o escoar da produção.

Cassol não está nem aí se a prefeita goste ou não desse seu indormido trabalho em parceria com Branco Mendes. O deputado dos olhos da gestora é outro - Eduardo Carneiro - mas até agora salvo engano só serviu mesmo para indicar cargos, um deles a nova secretária da Saúde.

Por isso mesmo Cassol pode muito bem se encaixar na poesia de Jobim: “É a luz da manhã, é o tijolo chegando”.

Ufa!  

Nem Netflix nem Globoplay dariam conta de tanto enredo nessa série que está mais para circo mambembe do que para ganhador de Oscar.

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 02/04/2021 às 19:33

    Anagilsa Franco

    Isso não é gestão, é uma piada de muito mau gosto, e o povo, ao invés de sorrir, vai chorar amargamente por essa escolha tão equivocada!! Bem feito, vai amargar dissabores por 4 anos!! Quem sabe assim aprendem a votar... Eu duvido muito, infelizmente!!

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