Aguinaldo Ribeiro retira candidatura a presidente da Câmara e fortalece Baleia Rossi para suceder Rodrigo Maia

06/01/2021
Tendo ao lado Baleia Rossi e Aguinaldo Ribeiro, Rodrigo Maia anuncia nome do paulista para a sua sucessão
Tendo ao lado Baleia Rossi e Aguinaldo Ribeiro, Rodrigo Maia anuncia nome do paulista para a sua sucessão

Até ontem cotado como principal nome de Rodrigo Maia à sua sucessão na Câmara dos Deputados, o paraibano Aguinaldo Ribeiro foi hoje o centro das atenções em Brasília ao anunciar a retirada da sua postulação em favor do colega Baleia Rossi, deputado por São Paulo e presidente nacional do MDB.

Baleia Rossi foi, então, confirmado como candidato do bloco liderado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) para disputar a sucessão no comando da Câmara.

O anúncio foi feito por Maia na frente da residência oficial da Câmara dos Deputados. Além do atual presidente e de Baleia, estavam presentes o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da Maioria na Casa e um dos favoritos de Maia para sucedê-lo, e o deputado Isnaldo Bulhões (AL), novo líder do MDB na Câmara.

A escolha pelo nome de Baleia, presidente do MDB, se deu após Ribeiro decidir retirar a pré-candidatura à presidência da Câmara.

- “Eu entendo que no projeto que nós integramos, da defesa da democracia, da independência da Câmara dos Deputados, da liberdade do nosso país, eu decidi abrir mão da nossa pré-candidatura para que, dando um passo atrás, o Brasil [possa] dar um passo à frente com a consolidação da candidatura do deputado Baleia Rossi, representando esse espírito e esse projeto”, afirmou o paraibano.  

Em seu discurso, Baleia recorreu a uma das mais emblemáticas figuras do MDB, Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte.

- “Eu quero dizer que não sou mais candidato apenas do meu partido. Tenho honra de pertencer ao MDB, de ser o presidente nacional do MDB. Tenho certeza de que Ulysses Guimarães estaria feliz com esse ato que o MDB faz [de se somar ao bloco de Maia para disputar a Câmara]”, disse.

- “No nosso manifesto de sexta-feira tem uma frase que eu acho que é muito forte, impactante, que marca um pouco a história do nosso Movimento Democático Brasileiro, que foi dita por Ulysses: ‘tenho ódio e nojo das ditaduras’”.

- "A Câmara independente é o melhor para o futuro do nosso país", disse Rossi.

Também fez acenos à oposição, que, na última sexta-feira (18), formalizou apoio ao bloco de Maia. "Sabemos que na última sexta-feira nós tivemos um anúncio que muitos não acreditavam. Um anúncio de uma frente ampla de partidos”, disse.

- “Partidos do centro democrático, que estão marcando uma posição muito clara de independência da nossa Casa. Mas também unindo os partidos mais progressistas, os partidos da esquerda democrática, o que nos dá as condições de disputar com total perspectiva de vitória.”

O candidato de Maia disse que pretende conversar com cada um dos 513 deputados para reafirmar os compromissos assumidos na frente ampla e com 11 partidos do bloco (PT, PSL, MDB, PSDB, PSB, DEM, PDT, PC do B, Cidadania, PV e Rede), que representam 281 deputados.

Há, no entanto, dissidências nesse grupo. Alguns integrantes da ala do PSL mais ligada ao governo, por exemplo, devem votar em Arthur Lira (PP-AL), candidato aliado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

No próprio PT houve dificuldade, entre alguns membros da bancada, de aceitar o nome de Baleia. Alguns petistas resistiam à candidatura do presidente do MDB, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

Para lapidar as diferenças, líderes e presidentes dos quatro partidos de oposição - PT, PDT, PSB e PcdoB - se reunirão com Baleia na próxima segunda-feira (28), para falar sobre temas contidos no manifesto lançado pela esquerda no último dia 21. No documento, as legendas pediam que o candidato do bloco de Maia se posicionasse contra a autonomia do Banco Central e privatizações, entre outros assuntos.

Depois do encontro, as lideranças do PT vão se reunir com a bancada para relatar o resultado da reunião com Baleia. No partido, ainda há uma ala que defende que se lance candidatura própria no primeiro turno, como fará o PSOL. No entanto, essa corrente não é majoritária, segundo deputados petistas.

A oposição também quer conversar com Baleia sobre procedimentos da Câmara. A ideia é abordar o respeito ao direito da minoria na Casa, critérios de proporcionalidade e comissões.

Os partidos querem, por exemplo, o compromisso de que, se houver assinaturas suficientes, CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) sejam instaladas, em vez de proteladas. O mesmo vale para convocações de ministros e votações de decretos legislativos da oposição.

Assim, pretendem anunciar, ainda na segunda-feira, apoio ao presidente do MDB.

Entre alguns integrantes da oposição, o nome de Baleia agradou. Apesar de reconhecerem que é um político ainda novo em Brasília - está em seu segundo mandato como deputado federal -, ele é tido como experiente, líder de uma bancada importante e bom negociador.

Além disso, seu nome era considerado mais agregador ao bloco, por atrair o grosso do MDB -as dissidências seriam poucas no partido. Aguinaldo Ribeiro, embora tenha trânsito melhor na esquerda, não atrairia a maioria dos votos de seu partido, o PP, mesmo de Lira.

A base política de Lira tem dez siglas (PL, PP, Republicanos, PSD, Solidariedade, PTB, Pros, PSC, Avante e Patriota), que representam 204 deputados. A campanha dele conta ainda com votos do PSL e dissidentes da esquerda.

A eleição para sucessão na Câmara está marcada para 1º de fevereiro. A votação é secreta. Por isso, a adesão de partidos a blocos não significa a garantia de votos. São necessários 257 do total de 513 para eleger quem comandará os deputados pelos próximos dois anos.

Baleia é o autor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma tributária, que teve como referência estudos do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF). O projeto é mais amplo que a reformulação do sistema tributário já apresentada pelo governo.

Eleito deputado federal em 2014 e reeleito em 2018, ele comanda o MDB há cerca de um ano. Antes disso, foi líder do partido na Câmara.

A escolha de Baleia para disputar a presidência da Câmara pelo entorno de Maia ocorreu após pressão interna do bloco, que registrava insatisfações com o atraso para o anúncio.

Aliados de Maia não conseguiam um consenso sobre quem deveria ser o adversário de Lira, que lançou a candidatura no dia 9 de dezembro.

Fonte: Da Redação com UOL




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