Índios discriminados pela prefeita do Conde fazem Vakinha na internet para pagar poço artesiano que lhes mate a sede com água que ela nega

03/05/2021
Na campanha, dançando como se índia fosse, Karla Pimentel (nesta foto, ao lado do seu atual Líder na Câmara, Eduardo Cassol) prometeu um “novo olhar” para os Tabajaras. Hoje, nega a eles inclusive água potável.
Na campanha, dançando como se índia fosse, Karla Pimentel (nesta foto, ao lado do seu atual Líder na Câmara, Eduardo Cassol) prometeu um “novo olhar” para os Tabajaras. Hoje, nega a eles inclusive água potável.

A Nação indígena do Conde, formada por três aldeias Tabajaras - Vitória, Barra de Gramame e Nova Conquista - e que durante a última campanha eleitoral se dividiu entre os três principais candidatos a prefeito, em que pese o discurso de diálogo e de indiscriminação pregado pela prefeita Karla Pimentel (PROS), permanece dividida e ao Deus dará, o que é inaceitável principalmente nesses tempos difíceis da pandemia do coronavírus.

Na campanha, Karla prometeu um ‘novo olhar’ para índios, quilombolas e demais minorias do Município, mas na prática não é exatamente o que vem acontecendo.

No último dia 19, quando se comemorou o Dia do Índio, a prefeita elegeu o marketing político como prioridade, vestiu um cocar colorido na aldeia da sua preferência pessoal e dançou ula-ula, quando o recomendável era ter optado pela dança da chuva, uma vez que a água, bem mais precioso da humanidade, continua faltando, por exemplo, nas ocas da Barra do Gramame, cujo desprezado cacique Carlinhos Arapuã viu-se obrigado a socorrer-se do mundo moderno e implantar na internet uma ‘Vakinha’ para juntar R$ 10 mil com os quais espera pagar uma empresa que contratou para furar um poço artesiano na sua sofrida e agora alijada comunidade para saciar a sede dos irmaõs desamparados pelo Poder Público.

Carlinhos apoiou Olavo Macarrão (CIDADANIA) e certamente por isso recebe hoje - ele e sua aldeia - o desumano desprezo da prefeita, apesar de que recentemente, e por iniciativa pessoal, o líder do Governo, vereador Eduardo Cassol (MDB), com quem Karla na campanha posava para fotografias ao lado de índios, ter procurado o cacique para ouvir as demandas represadas.

A “Vakinha” dos índios, denominada ÁGUA É VIDA TABAJARA, representa  uma iniciativa com foco em sanar a divida feita em prol de água limpa e de fácil acesso para todos da Aldeia Barra de Gramame do povo Tabajara da Paraíba.  

No começo deste ano foi perfurado e instalado na aldeia o sistema de um poço artesiano que deve atender as necessidades de todas as famílias que residem ali. O valor do serviço (R$ 10.000) foi afiançado pelo prestador do serviço e deve ser pago pela aldeia.  

Agora, os povos originários do País que moram no Conde vivem um dos grandes desafios de sua existência, dentro de uma sociedade que não facilita seu bem viver, o que inviabiliza o povo Tabajara de conseguir sanar essa divida.



O cacique Carlinhos (Barra de Gramame)  deu azar porque na campanha apoiou Olavo Macarrão

 - “Essa vaquinha existe como um modo de garantir o pagamento de todo o serviço e a instalação de toda a estrutura para garantir o acesso do povo a uma água limpa e em quantidade para sua qualidade melhor de vida, que engloba desde suas necessidades básicas às suas atividades tradicionais”, explica o cacique no apelo feito pela internet.

DISCRIMINAÇÃO

Provando a indiscriminação para com as outras duas comunidades Tabajaras do Município, a prefeita Karla determinou que no Dia do Índio apenas a aldeia Vitória ganhasse as atenções do Poder Público, que recebeu a visita de uma equipe multidisciplinar da Secretaria de Trabalho e Ação Social (Setras) para, segundo a Chefe de Divisão do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Gurugi, assistente social Itawanne Araújo, que estava acompanhada da psicóloga Joselma Pereira e da assistente social Karla Nóbrega, “relembrar os sofrimentos e as lutas dos povos indígenas”.

O cacique da tribo, Ednaldo Tabajara, relatou às visitantes todas as lutas dos Tabajaras para estarem na Reserva que hoje lhes pertence. "A última aldeia Tabajara de Jacoca (nome antigo da região onde hoje está a cidade de Conde) resistiu até 1920, mas fomos obrigados a abandonar nossas terras e a migrar para os subúrbios da capital", narrou o cacique.  

Somente em 2005 os Tabajaras começaram a se reorganizar, pleiteando o espaço ocupado atualmente por eles, com o intuito de reunir a tribo e resgatar a cultura indígena.

A equipe da gestão municipal foi à aldeia Vitória com o propósito de restabelecer o relacionamento entre a tribo e o município, e para disponibilizar os serviços públicos dos quais os índios se mostraram carentes, disse Itawanne Araújo.

- "Como CRAS nós nos disponibilizamos para fazer encaminhamentos para auxílios como o BPC para idosos e auxílio doença para detentores de comorbidades; Serviços de documentação pessoal; Encaminhamentos para o CREAS em casos de violência; Cadastramento e referência para os serviços do CRAS, como CadÚnico; Assistência psicológica;  Cadastramento e referência para a concessão dos benefícios eventuais, por exemplo, para as gestantes. Pretendemos com isso garantir a dignidade dos povos indígenas do Conde", explicou ela.

O cacique reconheceu o valor da visita:  

- "É uma alegria receber o Poder Público aqui. É muito importante a Prefeitura estar dentro das aldeias vendo o que é melhor para a sociedade condense e nós somos parte dessa sociedade", pontuou.

A coordenadora de Cultura do município, Izaíra de Joãozinho, também esteve presente com sua equipe.

Restaria à prefeita, pelo menos para livrar-se da vergonha de ver os índios de Gramame com o pires na mão, tirar do seu bolso uma parcela financeira razoável que venha a completar a dívida deles para com a empresa de poços artesianos. Até agora a Vakinha não apurou sequer R$ 2.000,00.

Fonte: Da Redação




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