Júnior Gurgel volta a escrever n‘APALAVRA após insucesso eleitoral em Caraúbas-RN e revela que Fundo Partidário instituiu compra obrigatória de votos

24/11/2020

Passada a peleja das urnas em Campina Grande ganha de volta o leitor d’APALAVRA a afiada e vibrante pena de Junior Gurgel, um dos nossos colaboradores permanentes na grade de colunistas.

Júnior afastou-se para disputar cargo eletivo em Caraúbas, cidade no vizinho Rio Grande do Norte que já governou dez anos atrás.

Não teve sucesso, desta feita e, neste artigo de re-estréia ele conta que o chamado ‘Fundão Eleitoral’ provavelmente instituiu em definitivo a compra obrigatória de votos. “Neste ano de 2020 todos os votos foram comprados e venceu quem gastou mais”, informa ele com a experiência de quem participou do processo eleitoral de dentro.

Segue a sua narrativa:

O DESASTRE ELEITORAL DE 2020

A ausência de uma legislação eleitoral permanente, infelizmente constantemente alterada a cada dois anos - ajustando-as às conveniências do Congresso Nacional – culminou num modelo que se exauriu em definitivo no pleito deste ano de 2020, quando foi posto em prática o excêntrico Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou “Fundão Eleitoral”.

A nefasta experiencia do “Fundão Eleitoral” agora em 2020 instituiu (provavelmente) em definitivo a compra obrigatória de votos - crime eleitoral que vem sendo combatido após 1986 - ocasião em que se realizou o pleito com vistas à instalação da Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Na época, os mais diversos setores da economia do país investiram em candidatos para defenderem seus interesses na elaboração da nova Carta Magna – atual Constituição Cidadã.

Neste ano de 2020 todos os votos foram comprados e venceu quem gastou mais. Inexistiram os debates ideológicos. Valores e preparos intelectuais dos postulantes foram nivelados por baixo. Estabeleceu-se o “leilão”: quem pagou mais, levou o sufrágio. Não se discutiu o hoje e o amanhã do município, numa perspectiva futurista da Nação, debatendo modelos econômicos e conjunturas político/social. Esmagadora maioria do eleitorado adotou a “Lei de Gerson” (levar vantagem em tudo) ao saber da existência de 3,0 bilhões de reais destinados a candidatos, para serem gastos em suas eleições.

Depois de quarenta anos, com todos os avanços tecnológicos e acesso a informação instantânea (internet), as declarações de Pelé, o Rei do Futebol – contemporânea a publicidade de Gerson veiculada na mídia vendendo as pilhas Rayovac - estão imortalizadas: “o brasileiro não sabe votar... Ainda não conhece o valor de um voto”.

O desastre 2020 só vem constatar que nunca houve vontade politica do Congresso Nacional em acabar com a corrupção no país, processo que se inicia a partir das eleições. O experimento do “Fundão Eleitoral” e das “nominatas partidárias” foi um tiro no pé. Se estas regras prevalecerem para 2022, nenhum parlamentar do famigerado “Centrão” retornará às Casas Legislativas do país.

O custo de um mandato de deputado federal será de no mínimo 10 milhões de reais. Estadual, metade. E de um Senador da República, inimaginável. Isto tendo como base valores do voto para vereador (2020) que oscilou entre R$ 300,00 e 600,00 dependendo do tamanho da cidade: quanto menor, mais caro o sufrágio. O fenômeno da pura democracia vivida em 2018, disputa renhida entre Direita x Esquerda, conservadores e progressistas – sem o abuso do poder econômico – culminando na vitória de Bolsonaro – ora pode se considerar como um fato raro e inusitado, instante de lucidez e cidadania que jamais se repetirá em nossa história.

Fonte: Da Redação




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