No Dia Nacional do Forró morre no Rio de Janeiro Zé Calixto, o campinense gigante da "sanfoninha"

14/12/2020

O Brasil perdeu neste domingo (13), Dia Nacional do Forró, o sanfoneiro e compositor paraibano José Calixto da Silva, popularmente conhecido como Zé Calixto.  

O instrumentista nascido em Campina Grande e considerado uma referência na música nordestina, enfrentava problemas de saúde e morreu no Rio de Janeiro, cidade onde residia há décadas.

Zé Calixto é uma referência quando o assunto é a sanfona de oito baixos, instrumento clássico e de difícil manuseio.

Ele começou a tocar aos oito anos de idade e aos doze já se apresentava sozinho em bailes e festas da Rainha da Borborema, onde era atração cativa durante a programação d’O Maior São João do Mundo.

Ao longo de sua trajetória musical, Zé gravou mais de 25 LPs e 4 CDs, marcando a história da música nordestina ao lado de nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Genival Lacerda.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e óculos

O artista morreu em uma unidade de saúde da capital fluminense, vítima de desdobramentos da Doença de Alzheimer. O sepultamento também ocorrerá no Rio de Janeiro.

QUEM ERA CALIXTO

Ele nasceu em 16 de julho de 1933, em Campina Grande. Quando veio ao mundo, a cidade estava em festa e seus vizinhos ainda comemoravam São João. Jackson do Pandeiro já dizia: “Vixe como tem Zé, Zé de baixo, Zé de riba, (...), Como tem Zé lá na Paraíba”. Nasceu José Calixto da Silva.

Com apenas oito anos, Zezinho já dedilhava sua “sanfoninha”. Aprendeu com o pai a respeitar os 8 baixos e, desde cedo, passou a fazer dinheiro com a música. “Com doze anos eu já tocava até em festas sozinho. Tocava até o dia amanhecer pra ganhar um dinheirinho”, lembrava orgulhoso.

Nesta idade, conheceu outro Zé. “Ele era conhecido como Zé Jack. Convivi com o Jackson porque ele me conheceu garotinho”, recordava. “Depois, descobriram um pseudônimo certo pra ele: Jackson do Pandeiro.” Por volta de 1941, o pai de Zé Calixto já conhecia Jackson, que acabou virando amigo da família.

Esta convivência rendeu a Zé Calixto muita experiência. Em 1969, gravou com Jackson o álbum O fino da roça. Entre as 14 músicas do disco, destaque para Pamonha e milho verde, escrita e interpretada por ele mesmo.

Ao lado de Jackson do Pandeiro, viajou por todo o Brasil e acabou conhecendo Luiz Gonzaga. “Gonzagão me convidava pra fazer shows com ele por essas estradas do Brasil. Ele era maravilhoso!”, relembrava Zé.

“Nordeste afora, São Paulo, Rio Grande do Norte, Brasília...”. Zé Calixto perdia a conta ao lembrar dos lugares que visitou, mas acabou se rendendo aos encantos da Cidade Maravilhosa. No final da década de 50, foi morar no Rio de Janeiro. Criou raízes, teve filhos, netos... No entanto, se entristecia com a falta de segurança. “Hoje, o nosso Rio de Janeiro só tem mais é violência, e não dá mais pra gente se segurar não”, lamentava.

Zé agradecia a Deus por nunca ter sido assaltado. Para os jovens amantes de forró, aqueles que não deixam de sair de casa mesmo sabendo da violência que ronda a noite, o sanfoneiro deixava um recado: “Que cada um escute com atenção: tenha fé em Papai do Céu, se encomende a Ele, que Ele lhe dá a segurança permanente.”

Sempre elegante, não dispensava um chapéu. “É uma curtiçãozinha”, afirmava. Os cabelos brancos não negavam a idade e é por isso mesmo que o sanfoneiro usava tinturas. “No dia em que eu pinto o meu cabelo, eu me olho no espelho e me sinto 20 anos mais novo,” confessava.

A receita é tiro e queda, e ele garantia: “Se o cabelo tá ficando branco, dá uma ajeitadazinha e vai pro forró dançar que aparece logo uma candidata”, afirmava Zé com bom humor.

Voltando à realidade, Zé Calixto fazia questão de dizer que não se iludia, e destacava que o mercado era cruel com quem não se cuida. “Pode ser chamado de vaidade, mas sei lá, a nossa profissão é um pouco ingrata nesse ponto de vista. Se o artista se deixar relaxar, ninguém vai dar trabalho pra ele, não.”

Não poderia pensar diferente. Afinal, foram muitos anos de estrada. O primeiro álbum, Zé Calixto e sua sanfona de 8 baixos, foi lançado em 1960. De lá pra cá, Zé gravou mais 25 LPs e 4 CDs, o último, ao lado do triangulista Severo Gomes, intitulado Zé Calixto e Zé Ramos ao Vivo.

A sanfona de 8 baixos é clássica. Entre os músicos, existe um consenso: quanto menos baixos, mais difícil de tocar. Zé Calixto afirmava que, hoje, no Brasil, existem pouco mais de 10 sanfoneiros especialistas neste instrumento. A maioria morreu. Já os que estão vivos e preservam esta arte não têm o devido reconhecimento.

Zé não tinha uma banda definida. Sua única certeza era a de que continuaria tocando sua “sanfoninha”, forma carinhosa como chamava seu instrumento de 8 baixos.  

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 14/12/2020 às 21:59

    Manoel

    Cumpriu sua missão com brilho, Deus o tenho nos seus braços. Fica a lembrança do orgulho da Paraíba.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de e-mail é de preenchimento obrigatório, mas não se preocupe que não publicaremos. Seu comentário será moderado pelo administrador do site e só será divulgado após isso.*


Outras Notícias