Colunista Marcos Marinho

  • Levando o meu eu...

    05/04/2021

    Abrir a cada dia as redes sociais tem sido muito doloroso.

    Antes, tinha-se a alegria de curtir datas natalícias, postar momentos felizes, compartilhar emoções!

    Hoje, em tempos tenebrosos da pandemia do coronavírus, só se consegue destampar obituários...

    Meu amigo Ubiratan Cirne, por exemplo, especializou-se ao lado de Márcio Rangel nessa fantasmagórica editoria – a das mortes, sobretudo aquelas motivadas pela COVID-19.

    No caso pessoal de Bira louve-se a prestação gratuita de serviços que ele fornece 24 horas por dia às diversas redações espalhadas pela Paraíba publicando gráficos, boletins e estatísticas de mortes, de curas, de vacinação, etc., e isso de cada centímetro de chão da maioria de Municípios do Estado.  

    Mas não é exclusivamente sobre essas particularidades do mundo dantesco da COVID-19 que venho aqui me manifestar. Já nos bastam Bira, Rangel e a Rede Globo para deixar todo mundo antenado contando números de caixões de defuntos e de covas rasas Brasil afora...

    Coincidência ou não foi no perfil de Ubiratan Cirne hoje cedinho antes de passar escova nos dentes que eu tive conhecimento da morte, por infarto agudo e felizmente não por COVID-19, do meu dileto amigo de priscas eras Josusmá Coelho Viana - o marido da bela e saudosa Julimary, o genro querido do também saudoso gráfico Julio Costa, o pai de Flávio, o mano estimado de Josirene, o homem que teve pulso e coragem de botar um jornal para funcionar em Campina quando Campina se envergonhava de ver o seu ‘Diário da Borborema’ rodar na gráfica de ‘O Norte’, em João Pessoa...

    Josusmá não foi apenas um amigo, tampouco um simples patrão. Classificá-lo de pai seria exagero, porque ninguém substituiria o amor e os cuidados que ‘Seu Ovídio Marinho’ dispensou a este seu filho caçula até expelir-se em suspiro de adeus.

    Mas que ele emparedou no afago, nas gentilezas e no projetar da minha carreira profissional, isso a história jamais apagará; nem a minha total gratidão.

    Josusmá foi divisor de águas na minha existência, sim senhor!

    Eu jovem mal completados os 18 anos de idade, contratado pelo ‘Diário da Borborema’ após aprovação em concorrido exame cuja avaliação passava pelo crivo dos ases da época, dentre eles Epitácio Soares e Fernando Wallack, não conhecia Josusmá e nem o que ele representava na história do Brasil...

    No DB este “foca” dava os seus primeiros passos e - modéstia à parte - em menos de seis meses cobrindo Câmara Municipal e Gabinete do Prefeito (naquela época não existiam os press-releases que hoje entopem as redações facilitando a vida dos repórteres) saltei do baixo para o alto clero da mídia local.

    Certa manhã um ilustre vereador - acho que o sisudo Major Rafael - me chamou a um canto de parede lá no prédio da Casa Félix Araújo da Maciel Pinheiro e me avisou que Josusmá tinha pedido a ele para me avisar que o procurasse, pois queria me conhecer se possível “ainda hoje”.

    Quem danado é Josusmá? Onde encontrá-lo? Encabulado, não tive coragem de perguntar isso ao major.

    E não lembro se recorrí a Vespaziano Ramalho ou a Luiz Aguiar quando voltei para a redação do DB investigando quem era a criatura. Recordo apenas que não foi preciso muito trabalho, porque a Gráfica Julio Costa era parede e meia com o prédio do Diário e Josusmá também já tinha deixado na portaria um recado para que eu o procurasse.  

    Finalzinho da tarde arrodeei e Seu Júlio - alto, gordo e de pouca conversa - me atendeu no balcão da gráfica.  

    - “Seu Josusmá, eu sou Marcos Marinho”, estendi a mão cumprimentando-o.

    - “Josusmá sou eu não, é meu genro, mas ele já foi prá casa”, avisou ampliando o meu fora e aumentando a minha encabulação.

    Me desculpei e nem pude dar meia volta, que ele abriu a portinha do balcão e me puxou para dentro da recepção.

    - “Você né o repórter? É pra tu trabalhar aqui no Jornal da Paraíba que ele quer que já comece amanhã?”, desembrulhou-se fazendo meu queixo cair literalmente. Aí pegou o telefone e me botou na linha com o genro.  

    E eu tremendo...

    Ora, deixar o DB, meu primeiro e suado emprego conquistado com méritos próprios, não estava escrito nas estrelas...  

    E nem eu era doido!

    Pedi um “até depois de amanhã”, tempo em que eu iria consultar alguns amigos, o pessoal de casa e meu irmão mais velho, Ismael, que havia sido demitido dias antes da secretaria de redação do DB. Mas Josusmá logo me desmobilizou ao informar que Ismael iria trabalhar no novo jornal e que já teria aceitado a missão ao lado de Nilo Tavares, William Tejo, José Levino, Vespaziano Ramalho, Robério Maracajá, Chico Maria e outros nomes de relevo daquele tempo.

    Não restou outra alternativa para mim, a não ser pedir demissão sem cumprir aviso-prévio pois as linotipos e a impressora que Josusmá foi comprar em Mossoró, de um jornal que deixou de funcionar, já chegavam dia seguinte a Campina Grande e a previsão do Jornal da Paraíba circular era de trinta dias.

    O JP virou nossa família e Josusmá um irmão mais velho.

    Foi ele o grande impulsionador da minha história profissional. Me mandou para Recife fazer estágio no ‘Jornal do Commercio’ e aprender diagramação. Quando voltei, recebi convite para trabalhar no ‘Diário de Pernambuco’ e recusei por aconselhamento de Josusmá e a contragosto do mano Ismael, que irritado me indagou: “Vai não, né? Tu já visse jogador de futebol de Campina ser convocado para a seleção? Mas de Pernambuco, tem!”.   

    Meses depois Josusmá me mandou para o Rio de Janeiro fazer estágio em ‘O Dia’  e em ‘A Notícia’, os jornais de maior circulação do País, mais exemplares que O Globo, por exemplo.

    Foram esses pontapés de Josusmá que me fizeram homem e - outra vez, modéstia à parte -conceituado no que me ensinou a fazer!

    A sua morte, portanto, não apenas me enche de luto e saudades, mas carrega com ele um pedação do meu eu!

  • POR QUE SOIS TÃO MEDROSOS?

    12/03/2021

    “Ao34 entardecer…” (Mc 4,35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares.

    Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados “vamos perecer” (cf. 4,38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.

    Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro...

    E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir).

    Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4,40).

    Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: “Mestre, não Te importas que pereçamos?” (4,38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: “Não te importas de mim”.

    É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De fato, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.

    A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os  nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de “empacotar” e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente “salvadores”, incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

    Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.  

    “Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” Hoje, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: “Acorda, Senhor!”. “Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”. Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti.

    Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: “Convertei-vos…”. “Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração” (Jl 2,12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros.  

    E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, timo espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras,  trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: “Que todos sejam um só” (Jo 17,21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração!

    Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras. “Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.

    O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42,3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.

    Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

    “Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”. Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria hoje de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e nunca adoece, e deixemos sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: “Não tenhais medo!” (Mt 14,27).

    E nós, juntamente com Pedro, “confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós” (cf. 1 Ped 5,7).

  • SAUDADES DE VAVÁ...

    05/03/2021

    Ele não esperou pela COVID e antecipou a viagem. Acho que foi sabedoria, porque Vavá (Ariosvaldo) jamais se acostumaria a usar máscaras e era da sua índole não ficar muito tempo dentro de casa.

    O mundo dele era o meio da rua...  

    Acordava, tomava uma xícara de café quente, comia um taco de cuscuz quando tinha e se danava p’ro mundo.

    Jogar conversa fora, como aqui a gente diz no Nordeste, era sua pauta.

    E dar risadas, gozar a vida e da vida...

    Acho que a COVID não gostou da pressa dele. Iria maltratá-lo, judiar dele como tem judiado de tantos por esse mundo afora.

    Mas Vavá - ou Seu Ari, como apreciava também de ser chamado - até na hora de ir-se foi sábio. Sabedoria matuta, de sertanejo forte que não se dobra nem com a seca e nem com a miséria que ela provoca.

    Hoje, cinco de março, o calendário marca um ano da morte de Vavá, o pai de Márcia, sogro meu então por esse particular.

    Deixou saudades?  

    Penso que sim, apesar de que em vida somente os seus defeitos eram vistos e ampliados, o que o fazia sofrer de um modo único, muitíssimo pessoal, e por isso mesmo invisível aos olhos e espíritos dos que o maltrataram tanto.

    Mas isso é passado e aos que tiveram remorso o bonde já passou, que é sempre assim nessa vida de tantas futilidades e de tanta gente ruim.

    Por isso, permanece altiva a máxima de que QUER SER BOM, MORRA.

    Vavá morreu!

    Mas eu, pelo menos, o tinha como um homem bom em vida mesmo.

    Por isso hoje, logo cedo, rezei para ele um Padre Nosso, a milenar oração que talvez ninguém nunca o tenha ensinado a soletrar.

    Saudades de tu, grande Vavá! 

  • O Vereador e minha lâmpada

    17/02/2021

    Legislar em causa própria não é prática que se recomende. Sobretudo quando a coisa é pública, exigindo por isso mesmo olhar coletivo.

    Já exerci o mandato de Vereador em Campina Grande e pautei minhas ações por esse prisma: tudo para os outros e nada para mim. Quem pagava os meus subsídios eram ‘os outros’, daí...

    E outra coisa: nunca busquei, enquanto parlamentar, amigos para interferir por pleitos pessoais. Meus problemas são meus e quem tem que resolvê-los, óbvio, sou eu!

    Mas ontem, aqui em Carapibus onde findo o feriadão do Carnaval sem Momo, dei-me ao usufruto de abrir uma exceção urgente e necessária para resolver um ‘nadica’ de problema na minha rua, coisa insignificante do ponto de vista gerencial de uma prefeitura, mas que por inacreditáveis e longos sete meses não teve solução, apesar do meu pedido e dos pedidos dos vizinhos ao órgão municipal competente.

    São três os postes, com lâmpadas, que iluminam o pedaço de rua e exatamente o que fica em frente à minha casa queimou a lâmpada, reinando a escuridão aqui por todo esse tempo.

    Eu já envergonhado com os olhares enviesados dos vizinhos, que com carradas de razão supunham que a não reposição da lâmpada devia-se à ‘birra’ que a ex-prefeita Márcia Lucena supostamente tinha comigo, por questões políticas ou pessoais, o que eu acredito não tenha sido o caso, e já que o portal da prefeitura não informa a quem recorrer na atual gestão para pedir reposição de equipamentos na iluminação pública, socorri-me do amigo Fabiano Medeiros, a quem por bom tempo o serviço esteve sob sua responsabilidade na última administração, para ver se ele informava o número do telefone do setor.

    E foi ele, Fabiano, a minha salvação. “Liga pra Cassol, que ele manda ligar na hora...”, sugeriu-me na certeza de que o nosso comum amigo, hoje vereador na cidade pelo MDB, e homem prático e objetivo, daria conta de tão DIFÍCIL missão. Ainda ponderei: “E isso lá é coisa pra gente ter que incomodar um Vereador?”.

    Passei um ZAP prá Cassol ainda meio envergonhado, avisando que desculpasse o atrevimento, pois sabia que a pauta dele tinha outras prioridades... E que eu queria apenas saber o número do telefone.  

    Não deu nem cinco minutos e o nobre gaúcho-amigo já retornou com a providência: “Tira foto do número do poste e manda a localização que a lâmpada já já será trocada”, sentenciou. Em meia hora o carrinho da prefeitura estava no poste e a lâmpada veio finalmente clarear nosso pedaço.

    Faço esse registro incomum, porque é preciso ressaltar que na gestão pública quando se quer trabalhar se trabalha. E que a burocracia não existe, a não ser tão somente na hora do ente público decidir procrastinar as coisas.

    Claro que trocar lâmpadas não é função de Vereador, mas o gesto de Cassol, despido de vaidades e ciente de que é SERVIDOR PÚBLICO, falou mais alto, o que a mim e nem a Fabiano surpreendeu.

    Aliás, Cassol tem sido a mais agradável das surpresas nesse recanto onde a política partidária é mais suja que papel higiênico após o uso.

    Obrigado, Vereador! Voltarei em breve com as notícias da sua indormida e operosa ação parlamentar!

  • Rita, Letícia, Severina Xique Xique...

    11/02/2021

    Não sou crítico de nada... Quiçá de música!

    Lá atrás no velho Jornal da Paraíba ainda ensaiei fazer críticas sobre cinema, mas deixei a empreitada - bem cumprida, aliás - com Humberto de Campos e sua musa Ana Luíza Rodrigues. Os dois eram cinéfilos apaixonados e eu, que sequer consigo assistir uma fita até final, porque o sono me deita, obviamente recolhi o sonho à insignificância do meu tamanho e falta de disposição.

    Até hoje Globoplay, Netflix, HBO, o raio que o parta, não me apetecem. E de filmes, leio sinopses para ficar informado, quando muito!

    Mas hoje abro uma exceção para tentar criticar música. Ou melhor: gosto musical.

    O que as rádios tocam por aí é de dar dó. Um lixo de endoidecer qualquer um, reflexo, penso eu, dessa mediocridade educacional do País. Também, em uma terra onde em vez de discursar o Presidente da República relincha...

    E lembrar que eu, e a juventude da minha época, assistíamos como disciplina curricular aulas de canto na rede pública de ensino! Sabíamos ler as pautas musicais, aplicar os Do, Re, Mi... Que saudades de Dona Dadá (Dalvanira Gadelha), nossa professora de música no Estadual da Prata.

    Ainda hoje assobio muito bem!

    E garanto que meu ouvido permanece apurado para as boas letras, hoje em desuso no País, lamentavelmente.

    Porque, concorde comigo o leitor, ‘Rita’ ou ‘Letícia’ é música lá que se cante?  

    Na verdade, não é de hoje que nome de mulher dá enredo a letra musical... Mas havia bom  gosto, mesmo em se tratando de sentidos dúbios, como por exemplo ‘Severina Xique Xique’, aquela que Genival Lacerda avisava ter comprado uma butique para a vida melhorar.

    Ou ‘Carolina”, de Chico Buarque de Holanda; ou ‘Rita’, do mesmo mestre, nada a ver com a  Rita da facada de agora.

    É doloroso, pois, constatar que aquela ‘Rita’ não teria levado apenas “seu sorriso, seu assunto, seu retrato, seu trapo”, e também “um bom disco de Noel”.  

    A ‘Rita’ de Chico, além e apesar de tudo, “deixou mudo o violão”. Mas continua dando alegria aos nossos ouvidos.

    Entretanto, Essa RITA piegas que invade as nossas emissoras como ultraje ao bom senso e ao bom gosto é uma ofensa à juventude que não ouve mais Chico, Elis Regina, Raul Seixas, Fagner, Zé Ramalho... E que se submete cumplicemente à lavagem cerebral que fatalmente tem jogado todos à sarjeta da vida.

    E volto a Chico de ‘Olê, olá’: “Não chore ainda não/ Que eu tenho um violão/ E nós vamos cantar”.  

    Será que ainda vamos? Porque é cantando que se preenche o vazio deixado pela infelicidade, embora trate-se isso, porém, de uma ilusão: essa felicidade está condenada a durar não mais que os três, quatro ou cinco minutos de uma canção boa. Por isso ele queria “E um samba tão imenso/ Que eu às vezes penso/ Que o próprio tempo/ Vai parar para ouvir”.

    ‘Letícia” e seu mototaxista... ‘Rita’ a perdoar seu corno em troca da retirada de um BO...

    Isso é amor, paixão, novos tempos ou safadeza?

    Algum crítico musical me socorra, viu professor Flávio Guimarães?

    Só para ajudar, comparemos as ‘RITAS’:

    A DE HOJE

    Sua ausência tá fazendo mais estrago

    Que a sua traição, lê-lê-lê-lê

    Minha cama dobrou de tamanho

    Sem você no meu colchão

     

    Seu perfume tá impregnado nesse quarto escuro

    Que saudade desse cheiro de cigarro e desse álcool puro

    Rita, eu desculpo tudo

     

    Ôh, Rita, volta, desgramada!

    Volta, Rita, que eu perdoo a facada

    Ôh, Rita, não me deixa

    Volta, Rita, que eu retiro a queixa

     

    Ôh, Rita, volta, desgramada!

    Volta, Rita, que eu perdoo a facada

    Ôh, Rita, não me deixa

    Volta, Rita, que eu retiro a queixa

     

    Sua ausência tá fazendo mais estrago

    Que a sua traição, lê-lê-lê-lê

    Minha cama dobrou de tamanho

    Sem você no meu colchão

     

    Seu perfume tá impregnado nesse quarto escuro

    Que saudade desse cheiro de cigarro e desse álcool puro

    Rita, eu desculpo tudo

     

    Ôh, Rita, volta, desgramada!

    Volta, Rita, que eu perdoo a facada

    Ôh, Rita, não me deixa

    Volta, Rita, que eu retiro a queixa

     

    Ôh, Rita, volta, desgramada!

    Volta, Rita, que eu perdoo a facada

    Ôh, Rita, não me deixa

    Volta, Rita, que eu retiro a queixa

     
    A DE CHICO BUARQUE  


    A Rita levou meu sorriso

    No sorriso dela

    Meu assunto

    Levou junto com ela

    E o que me é de direito

    Arrancou-me do peito

    E tem mais

     

    Levou seu retrato

    Seu trapo

    Seu prato

    Que papel!

     

    Uma imagem de São Francisco

    E um bom disco de Noel

     

    A Rita matou nosso amor

    De vingança

    Nem herança deixou

    Não levou um tostão

    Porque não tinha não

    Mas causou perdas e danos

     

    Levou os meus planos

    Meu pobres enganos

    Os meus vinte anos

    O meu coração

     

    E além de tudo

    Me deixou mudo

    Um violão

     

    A Rita levou meu sorriso

    No sorriso dela

    Meu assunto

    Levou junto com ela

    E o que me é de direito

    Arrancou-me do peito

    E tem mais

     

    Levou seu retrato

    Seu trapo

    Seu prato

    Que papel!

     

    Uma imagem de São Francisco

    E um bom disco de Noel

     

    A Rita matou nosso amor

    De vingança

    Nem herança deixou

    Não levou um tostão

    Porque não tinha não

    Mas causou perdas e danos

     

    Levou os meus planos

    Meu pobres enganos

    Os meus vinte anos

    O meu coração

     

    E além de tudo

    Me deixou mudo

    Um violão

  • Eu choro por Zé!

    09/02/2021

    Não fui da “cozinha” do Senador José Maranhão, mas na casa dele no Altiplano do Cabo Branco, e mesmo lá no apartamento funcional em Brasília, ele só me recebia pela cozinha...  

    Em João Pessoa, acho que apenas uma vez entrei pelo portão frontal, aberto para receber Trocolly Júnior, com quem eu estava no momento.

    É esse Zé, meu amigo desde quando Raymundo Asfóra a ele me apresentou na Capital da República, que hoje encerra seu ciclo de vida longa no mundo dos justos e - raro isso - onde se portava com singular altivez.

    A pequenina Paraíba se reduz, com a morte de Maranhão, a quase nada.

    Pouco terei a dizer sobre o querido amigo, porque a redundância alcançaria meu gesto.

    Hoje portais, rádios e televisões já expõem nos seus mais nobres espaços a trajetória do senador, seu vasto currículo e – principalmente - a bondade e a elegância com as quais ele sempre se portou nos embates do dia-a-dia em favor da sua gente.

    Nunca ví Maranhão com cara de tristeza, insônia, mal estar...

    A pose de ESTADISTA nunca foi pose; era marca! Aliás, da Paraíba foi o único estadista que eu até aqui tive o prazer de conhecer.

    Em Brasília, ele deputado federal e eu assessor parlamentar de Asfóra (cargo hoje equivalente a Chefe de Gabinete), o assessorei na parte de imprensa, tempo em que solidificamos nossa amizade e eu pude avaliar o tamanho da humildade que carregava e os gestos largos que produzia em favor do povo amado da sua amada terra.

    O Nordeste era foco do seu mandato e no Congresso Nacional daquela época tenho certeza que ninguém mais do que ele entendia as agruras da região e trabalhava intensamente para mudar o caos quase perene de tão imenso e glorioso pedaço de Brasil.

    Maranhão foi na essência da palavra um DEPUTADO e um SENADOR NORDESTINO e a região a ele deve vitórias ousadas, sem que se fale na sua voz firme e presente na hora de desconstituir preconceitos e pequenez de insanos técnicos da burocracia estatal.

    Como governador da Paraíba, foi um gigante nos três mandatos e sua obra aí está dando testemunho do amor que nutria pelo chão que pisou com galhardia invulgar.

    Quando soube da morte de Asfóra, me ligou ainda cedo antes de vir para o sepultamento do amigo convidando para que eu voltasse ao Planalto para chefiar o seu gabinete. Com tristeza, recusei, por já ter-me fixado em João Pessoa com filhos pequenos que de mim exigiam cuidados de pai e de mãe.

    Mais tarde, eleito Senador da República, exigiu que eu integrasse a sua assessoria e à minha revelia assinou o ato, que precisou ser anulado porque, para assumir a missão primeiro o presidente do Senado teria que oficiar ao presidente do TRT da Paraíba, aonde eu passara a ser servidor do quadro efetivo, solicitando minha cessão funcional, o que veio a acontecer e eu, durante os oito anos do mandato dele, tive o privilégio de ajudá-lo a trabalhar pela Paraíba, interrompendo o vínculo apenas durante os anos em que exercí o mandato de Vereador em Campina Grande.  

    Zé me tratava também por “querido”, tratamento comum que dispensava a quem considerava amigo de verdade, daqueles que entrava e saía da sua casa pela porta da cozinha!

    Saudade dói demais e eu fico por aqui, porque nessa fase da vida onde o Alzheimer ronda a minha porta, o choro é fácil fácil...

  • EU E GENIVAL LACERDA

    08/01/2021

    Não fui amigo de Genival Lacerda. Fui fã, igual a milhares de nordestinos que se alegravam com as suas mungangas e singulares trejeitos regionais.

    Mas ao longo dos anos chegamos a trocar, vez por outra, algumas palavras.

    A primeira foi no Distrito dos Mecânicos, onde na verdade nos conhecemos através da intermediação carinhosa do nosso comum amigo Inajá, mecânico de mão cheia e homem de brios.

    Carro velho, levei-o a Inajá para uma troca de velas e chegando à oficina lá estava Genival sentado num banquinho de ferro ao lado do seu vistoso Monza – o carro dos endinheirados da época.

    Inajá me recebeu cordial como sempre, mas antes de abrir o capô do veículo virou-se pra Genival e tascou: “tu conhece Marcos Marinho não?”.

    No meio da rua a cara do artista sempre foi fechada, ao contrário do que acontecia nos palcos. E assim ele ouviu Inajá, mas fez que não tava nem aí...

    Inajá retrucou, querendo talvez me botar no mesmo nível de importância de Genival: “...né Marcos Marinho da Correio, Genival, tu não escuta não?”.

    O ‘estalo’ deu certo e o ranzinza Seu Vavá mexeu alguns músculos faciais e abriu a boca: “E eu num sei, esse fela da puta né aquele que lasca Cássio todo dia?”, encerrou o papo já em pé e com cara de brabo.

    O cumprimentei com um sorriso meio amarelo e pedi que Inajá se apressase no serviço, que eu tinha ainda uma viagem a João Pessoa naquele dia.

    Enquanto o bom Inajá mexia no motor, Genival começou a puxar conversa comigo e terminamos batendo um papo de mais de uma hora sobre amenidades e ele dizendo da importância de Inajá na sua vida e porque estava alí na oficina: “se ele souber que eu vim de Recife e não apareci pra lhe ver, é capaz de se intrigar”, avisou como prova de que a amizade deles dois era sólida e inquebrável.

    De outra feita nos encontramos entre a feira de flores e a de peixe, aqui em Campina Grande, numa sexta feira lá pelas dez da manhã. Tava arrodeado de feirantes, todo mundo sorrindo com suas presepadas se agarrando com um rolo de fumo. Eu fiz que não vi e já ia embora quando ele me avistou e foi logo perguntando aos gritos: “ei, tu tem ido lá naquele fresco? Diga que me viu não, que eu já tô indo viajar”.

    Referia-se, obviamente, a Inajá. Deu-me um tapa de cumprimento nas costas e eu garanti que nada diria ao mecânico amigo nosso.

    N’outras vezes que conversamos sempre foi na oficina de Inajá. A última delas eu já Vereador de Campina Grande e ele me dizendo da admiração que nutria por Cássio Cunha Lima, ao tempo em que protestava porque eu não tinha o mesmo sentimento pelo filho de Ronaldo e Glória.

    Ainda tentei convencê-lo de que nada tinha de pessoal pelo seu ilustre amiguinho e ele: “prá cima de mim, é? Isso é coisa de política, eu sei!”.

    E foi só.

    Vai com Deus, gigante GENIVAL!

  • Pipoca por Pimentel !!!

    18/12/2020

    Foram tantos os descalabros proferidos pela presidente Ivonete Ludgério (PSD) na sessão ordinária híbrida de ontem da Câmara Municipal de Campina Grande, ferindo e insultando vereadores e jornalistas, que praticamente passou despercebida a “comovente” manifestação dela em relação a Pipoca, sua cadelinha de estimação.

    Ivonete principiou avisando aos pares sobre o alívio “muito grande” que dominava seu íntimo pelo fato - já desencantada com a possibilidade de reeleger-se presidente – de que a partir de  primeiro de janeiro irá “voltar a ser apenas mais uma vereadora que trabalha para quem votou nela e nos benefícios que vem para Campina Grande”, aproveitando para lembrar que esse sentimento de felicidade e de alívio só não era maior porque a sua cachorra, chamada Pipoca, está internada na Climed (clínica veterinária da cidade) com câncer e caberia a ela decidir nas próximas horas sobre mandar ou não sacrificá-la.

    - “Se não, eu estava plenamente feliz”, ponderou.

    É compreensível sem dúvidas, e até muito comovente, esse lamento da ilustre dama do nosso Poder Legislativo. Há muito tempo, cachorros e gatos tomaram lugar de entes queridos nas mansões da burguesia, fazendo vezes de filhos e de netos, de sorte que a dor do animal chega a tirar o sono e a tranquilidade - ou o alívio – dos donos, como vem a ser no caso o pranto de Ivonete relacionado a Pipoca no ocaso infeliz da existência.   

    Aliás, amar bichinhos de estimação não é privilégio de abastados ostentando os seus Poodles, Yokshires, Shitzus, Dálmatas e outras finas raças, mas também da pobreza que consegue ampara vira-latas e a eles devotar o mesmo amor que ricaços devotam aos seus caros e também fiéis companheiros.

    Por esse particular, nada mesmo a censurar à digna consorte de Manuel Ludgério...  

    O que merece grande censura, isto sim, é a insensibilidade e a falta de solidariedade cristã de Ivonete quando opta por realçar, na solenidade e inviolabilidade da maior tribuna do Município, o sofrimento de Pipoca em detrimento do calvário pelo qual está passando o seu colega Antonio Alves Pimentel Filho na UTI do hospital da UNIMED de João Pessoa, entre a vida e a morte acometido pelo mal do século – a COVID-19.

    Importante também registrar que ninguém na Câmara, ontem, mesmo dia em que a chorosa esposa de Toinho, Selda, pedia nas redes sociais que amigos orassem pelo marido, lembrou de rezar uma Ave Maria, um Padre Nosso que fosse, ou mesmo se prostar em um minuto de silêncio rogando a Deus pelo restabelecimento da saúde daquele que é o mais antigo vereador com assento no Legislativo local e, como poucos, tem uma folha larga de serviços a mostrar pela sua comunidade.

    Deus de fato sabe o que faz!

    Graças a ele, eu não sou mais Vereador de Campina Grande e, por essa singular razão, não tenho acesso à magna tribuna daquela Casa onde um dia com a força e a honra do amor que continuo dedicando a este abençoado chão derramei o meu suor e espalhei sem economia de trabalhos a minha lealdade a todos os conterrâneos.

    Com certeza, Pimentel teria a minha solidariedade, as minhas preces e a Câmara, por seu colegiado eletivo e pelo seu corpo funcional, se ajoelharia a meu pedido para pedir ao Criador a sua plena volta à vida.

    Lamentar apenas que Ivonete tenha seu coração mais dividido para Pipoca do que para Pimentel.

  • SIGILO DE FONTE - QUEBRA

    21/11/2020

    Recebí do confrade Giovanni Meirelles os seguintes esclarecimentos, sobre a “cabuetagem” feita por Walter Santos em sua direção:

    MINHA OUTRA VERSÃO DOS FATOS - ÉTICA PROFISSIONAL - VERDADE REAL E JORNALISMO INVESTIGATIVO - PAUTA DE NOTÍCIA OU BOATO DE INTERNET?

    Caro amigo Marcos, grande escriba, digno dos hieróglifos milenares eternizados pelos antigos papiros egípcios desde o "tempo antes do tempo", ou seja, o Zep-Tep dos mumificados faraós, anterior às pirâmides de Saccara, no planalto de Gizé, bem antes de terem sido construídas. Peço sua sacrossanta permissão para repor a verdade acerca de fatos envolvendo meu nome com um determinado noticiário sobre o empresário bem sucedido e ex-senador da República, José Gonzaga Sobrinho, mais conhecido como "Deca do Atacadão Rio do Peixe".

    Vejamos os fatos que a postagem do nosso querido confrade Walter Santos, proprietário do portal WSCom não citou, aqui mesmo neste espaço destinado a comentários dos seus inúmeros leitores, ou por mero desconhecimento ou por apuração descuidada. Recebi a confirmação do já citado episódio de duas fontes seguras que depois voltaram atrás a pedido da família, mas nunca revelei os nomes dessas duas pessoas, que continuarão sendo minhas fontes de confiança, que continua assegurada.

    Não fiz isso. Ao contrário de WS, que praticamente entregou minha cabeça numa bandeja de prata, como fez Salomé ao Rei Herodes da Judéia, mandando decapitar o profeta São João Batista, anunciador da vinda de Jesus Cristo, às margens do rio Jordão, na Palestina (atual Israel), eu garanti o sigilo jornalístico da fonte que me repassou originalmente a hipotética história do incidente.

    Não joguei ninguém às feras, muito menos faria isso com um colega de profissão, com o qual já trabalhamos juntos em vários locais, por muitos anos. WS deveria ter checado por seus próprios meios. Eu apenas tentei lhe ajudar, sugerindo o tal assunto como pauta de notícia em andamento.

    Eu acreditei em duas fontes. Uma de Campina Grande e outra de Cajazeiras. Ambos confirmaram. Tinha ainda no cenário da boataria, um áudio circulando nos grupos de Whatsapp e eu perguntei a vários amigos se a notícia procedia ou não, em tom investigativo, apenas do ponto de vista jornalístico. Queria saber se alguém reconhecia a voz do autor da mensagem gravada em tom de lamentação e proximidade familiar.

    Naquela mesma noite, soube que a Secretária de Deca tava desmentindo esse áudio veiculado pelo Zap, ao mesmo tempo em que obtive a confirmação de que o fato tinha sido "verdadeiro" por duas fontes seguras, cujos nomes jamais revelaria, sob hipótese alguma, principalmente com o objetivo de DELATAR OU CABUETAR. Isso fica muito feio para ser praticado por alguém que se auto-elogia de ser um ente privilegiado por ter acesso exclusivo a ALTAS FONTES...

    Ninguém publicou nada. Nem eu divulguei UMA LINHA SEQUER nas minhas redes sociais. Somente comentei com amigos de zap, pelo celular privado. Consolidado o desmentido, depois de me ter sido confirmado, o boato voltou atrás e se negou ser verdade, mas já era tarde demais. Walter Santos já tinha estampado a manchete no seu portal em tamanho escandaloso. Fotos imensas e letras garrafais.

    Pra VC ter uma idéia, eu nem cheguei a ver a primeira postagem do portal WSCOM. Só soube que Walter tinha publicado algo sobre o assunto, porque um amigo me encaminhou já o desmentido dele citando meu nome. Só então fiquei sabendo o teor da matéria que tinha sido veiculada na Internet. Exagero total. Sensacionalismo demais.

    Sempre na intenção de saber se de fato havia fundo de verdade ou não, nessa história toda, foi por isso que repassei pra Walter checar e ele se apressou em publicar. Tô fora disso. Meu desejo, sinceramente, é colocar um ponto final nessa história que está rendendo além do desnecessário. Meu respeitoso abraço a VC, extensivo a seus admiradores.

    Giovanni Emmanuel Silva Meireles

  • Contra Deca e contra o jornalismo

    20/11/2020

    Há anos vejo sendo crescentemente diminuída a credibilidade que, na Paraíba, alguns devotaram ao confrade Walter Santos, o homem do pioneiro portal WSCOM de João Pessoa, saudosa referência de boa leitura nos caminhos vastos da internet.

    Informação postada no site de WS era “prego batido e ponta virada” e a ninguém era dado o direito dela duvidar. Mentira por lá ou mesmo algo duvidoso que fosse - essa tal de Fake News de agora – jamais o buliçoso jornalista autorizaria publicar.

    Vê-se, portanto, que isto é mesmo coisa do passado...

    Hoje, Walter se superou ao ajoelhar-se diante de um advogado que atende Deca do Atacadão e mostrou um lado covarde e servil que uns já conheciam mas que outro tanto nunca imaginou que pudesse ser parte integrante do seu já alongado currículo.   

    Depois de abrir manchete deslavadamente mentirosa no seu portal sobre um suposto ato suicida de Deca, dado por ele como fato consumado, mas sem mostrar provas nem declarações testemunhais d’algum parente ou amigo do empresário a embasando, viu-se obrigado a deletar o texto quando o advogado o pressionou, mesmo que elegantemente, sobre a falsa e indigitada nota.

    Óbvio que Walter teve medo das consequências jurídicas que seu ato irresponsável ensejaria e logo tudo apagou, o que em si sanaria parcialmente o ‘mal entendido’, assim satisfazendo o que o causídico unicamente lhe pedira. Mas, totalmente despido - de pudor, de ética, de pouca vergonha - WS provocou um mal maior ao CABUETAR a sua fonte, como se assim passando a ela a culpa da infâmia do que publicou pudesse livrar a própria cara.

    A fonte identificada por Walter atende pelo nome de Giovane Meirelles, irrepreensível multimídia paraibano que já titulou, no Governo Maranhão I, a Secretaria de Estado da Comunicação Institucional, e já foi editor das melhores publicações desse Estado, dentre elas o jornal Correio da Paraíba e a revista Polytika, de Fabiano Gomes.

    WS retratou-se publicando o pedido do advogado em um escondido canto do seu portal - e não na mesma manchete onde a infâmia fora estampada - e em ‘Nota da Redação’ cometeu inominável crime contra o direito livre e soberano da sua profissão, assegurado pela Carta Magna do País, de nunca violar o sigilo da fonte.   

    “A informação sobre a internação de Deca do Atacadão foi repassada ao Portal WSCOM pelo renomado jornalista Giovani Meirelles. O Portal WSCOM é o veículo pioneiro do webjornalismo paraibano e mantém, há quase duas décadas, o compromisso com a verdade dos fatos. Pedimos desculpas ao empresário Deca do Atacadão, aos seus familiares e ao leitor pelo equívoco”, diz a sucinta e deplorável nota que o medroso WS certamente redigiu em genuflexa posição.

    Eu, enquanto jornalista profissional filiado à Federação Nacional dos Jornalistas do Brasil (FENAJ), me declaro envergonhado pela postura e pelo duplo crime praticado por Walter: contra Deca e seus familiares; e contra Giovanne, a quem rendo minha irrestrita solidariedade.

    É bom mesmo lembrar a WS que o sigilo da fonte jornalística é uma garantia constitucional prevista no art. 5º, inciso XIV, in fine, da Constituição Federal, e que por essa expressa determinação o jornalista não é obrigado a revelar a sua fonte.

    O bem jurídico protegido pelo legislador constituinte é a identidade da fonte da notícia, devendo ser compreendido não só a identidade dos indivíduos que abastecem os jornalistas com informações, mas também os materiais, os documentos, as gravações, os registros telefônicos e tudo o mais utilizado como elemento para a construção de uma notícia. A origem da informação pode envolver tanto pessoas como coisas e o o objetivo dessa tutela estatal é assegurar ao profissional de comunicação, bem como ao veículo difusor da informação, a possibilidade do desenvolvimento jornalístico sem interferência e com independência, o que WS aparenta querer destruir.

    Ensine-se ainda a Walter que o legislador constituinte, ao inserir o resguardo do sigilo da fonte logo após a garantia fundamental de acesso à informação, buscou reforçar o entendimento de que a preservação da identidade da fonte jornalística constitui elemento indispensável para a garantia de acesso da sociedade à informação e, sobretudo, do direito de a sociedade ser informada, sem interferência do Poder Público.

    A democracia não se efetiva com amarras à imprensa e a liberdade jornalística é condição imanente de qualquer Estado Democrático. O Brasil positivou essa condição política em seu Texto Constitucional, de modo que é preciso dizer a Walter Santos que há de se respeitar esses valores e que revelações da fonte, como agora feito por ele, constituem verdadeiro atentado à liberdade de expressão e à atividade jornalística.

    Na realidade, essa prerrogativa profissional qualifica-se como expressiva garantia de ordem jurídica, que, outorgada a qualquer jornalista em decorrência de sua atividade profissional, destina-se, em última análise, a viabilizar, em favor da própria coletividade, a ampla pesquisa de fatos ou eventos cuja revelação se impõe como consequência ditada por razões de estrito interesse público.

    A tutela especial da proteção ao sigilo da fonte constitui garantia ao desenvolvimento livre e independente da imprensa, na sua função principal que é revelar assunto de interesse público, representando uma via alternativa à versão oficial dos fatos.

    Esse valor democrático deve ser preservado e garantido pelos poderes constituídos, ainda que o profissional da imprensa venha a publicar notícias que desagradem as autoridades e eventualmente exponham as mazelas do setor público. Esse é um dos papéis de vigilância da imprensa. Os brilhantes trabalhos jornalísticos realizados no mundo somente foram possíveis pela proteção dada ao profissional de imprensa de não revelar a sua fonte, podendo ser citado como exemplo, dentre tantos outros, o caso Watergate, que culminou com a renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon.

    O gentil advogado de Deca poderia de logo acionar judicialmente o WSCOM e seu dirigente, mas preferiu pedir-lhe tão somente DELETAR a matéria. Não rogou para ele DELATAR a fonte e ao tê-la de bandeja necessariamente deverá ter entendido o que Walter, em nome de tirar o dele da seringa, disse: “...aciona Giovanne, que o problema não é meu; é dele!”.

    Que vergonha!!! 

  • PINGOS (ELEIÇÕES 2020)

    13/11/2020

    FORÇAS PARTIDÁRIAS - A Coligação de Ana Cláudia Vital (‘Novos Tempos, Novas Soluções’) é a que aglomera maior número de partidos. São sete ao todo: Podemos, PDT, Avante, DEM, Cidadania, PTB e Solidariedade.  

    A de Bruno Cunha Lima (‘Campina Rumo ao Futuro’) juntou seis agremiações: PSD, Republicanos, PSDB, PP, PROS e PSC.

    A coligação de Inácio Falcão (‘Campina Tem Jeito’) conta com três legendas: PCdoB, PT e MDB.

    A de Arhur Bolinha (‘Povo Forte, Cidade Livre’) conta apenas com dois partidos: PSL e PV.

    E a coligação encabeçada por Olímpio Rocha (‘Campina Merece ser Grande’) também tem apenas duas legendas: PSOL e PSB.  

    MAIS VOTADO (I)

    O vereador Rennan Maracajá, que em 2016 foi o mais votado do pleito em Campina Grande, caminha para repetir a dosagem, mesmo tendo sido condenado a mais de trinta anos de prisão por desvio de recursos da merenda escolar do Município, conforme apurou investigação no âmbito da Operação Famintos.    

    MAIS VOTADO (II)

    Eva Gouveia, conforme prognosticam todas as pesquisas até aquí realizadas em Campina Grande, dentre todos os mais de 400 candidados a vereador é o único nome com possibilidades reais de arrancar a ‘pole-position’ de Rennan Maracajá.

    COM BOLSONARO

    O PSL, que em tese continua sendo o partido do Presidente Jair Bolsonaro e que em Campina Grande registrou 37 candidatos a vereador este ano, projeta eleger dois edis, que seriam Olímpio Oliveira e o militar Julio César. A primeira suplencia estaria sendo disputada por Júnior do Estacionamento (tem apoio de Julian Lemos), Franklin Marinho, Felipe Félix e Bárbara Barros.

    EM QUEIMADAS

    Com apoio direto do prefeito e candidato à reeleição Carlinhos de Tião, é bem provável que a Câmara Municipal de Queimadas ganhe na próxima legislatura uma mulher, que viria a ser Vanessa de Deda de Dutra, cujo organizado trabalho em prol dos menos assistidos tem feito a diferença na atual campanha.

    NO CONDE

    O gaúcho Eduardo Cassol (MDB) é cotado no Conde como um dos candidatos a vereador que já poderia ir ao shopping comprar o terno de posse. Além de ter feito uma campanha propositiva e bem organizada, conta em seu favor também o livre trânsito que tem com todas as candidaturas majoritárias, em que pese seu ‘santinho’ continuar atrelado a Karla Pimentel.

    EM ALCANTIL

    Candidatos pelo PP em Alcantil, PB nas Eleições 2020

    O povo de Alcantil vai ter a feliz oportunidade, nestas eleições, de fazer justiça a uma figura exemplar que tem uma enorme folha de serviços prestados à comunidade e que já foi testada no Serviço Público desempenhando com competência e zelo cargos na área social, onde não apenas mostrou a excelência do seu vigoroso trabalho como distinguiu os mais necessitados de amor, carinho e uma palavra amiga em todas as horas. Me refiro à querida amiga Elisangela Costa, a quem eu daria meu voto com muito orgulho se tivesse domicílio eleitoral no seu rincão.  

    NÚMEROS NO CONDE

    Em 2016 Márcia Lucena foi eleita prefeita do Conde pelo PSB com 6.477 votos, representando 49,10% do eleitorado que compareceu às urnas. Ela derrotou o todo poderoso ‘coronel’ Aluízio Régis, que obteve 4.967 votos, totalizando 37,65% do apurado. O terceiro mais votado foi o supermercadista Júnior Rodrigues, com 1.294 votos, ou 9,81% do total.

    Votaram naquele ano 17.867 eleitores, mas os votos válidos somaram apenas 13.191, uma vez que 424 deles (2,37%) foram brancos e 4.552 (23,80%) foram anulados.

    Importante também registrar que a abstenção, considerada muito alta, atingiu 10,32% do eleitorado, ou seja, 2.055 eleitores.

  • RESSUSCITARAM CÁSSIO NO CONDE

    10/11/2020

    Pregador de peças, o destino permanece sendo irônico e, por vezes, malvado.

    Ontem, deu exemplo disso no rico Município do Conde, litoral Sul paraibano, onde pelo menos três candidaturas a prefeito mostram reais possibilidades de sucesso este ano: a do PSB que trabalha para reeleger a tornozelada Márcia Lucena, a do CIDADANIA que tem no jovem Olavo Macarrão a grande chance de mostrar um novo tempo, e a de Karla Pimentel, que ainda empregando surrados métodos de fazer política promete ressuscitar o coronelismo e as viciadas oligarquias que tanto mal já causaram à região.

    Pois foi certamente por ironia do destino que na última semana do processo eleitoral apareceu nas redes sociais da nora de Aluízio Régis, com cara lustrada pelo mais puro óleo de peroba,  o mais sujo dos atuais políticos paraibanos - Cássio Rodrigues da Cunha Lima.

    ‘Apareceu’ seria mesmo um termo apropriado se acaso o filho de Glória e Ronaldo fosse um fantasma, desses que costumam aparecer nas eleições para assombrar gente humilde de pouca fé.  

    Não é realmente o caso!  

    Cássio não ‘apareceu’, é importante logo corrigir. Ele foi ressuscitado!

    Karla e seus sogros também emporcalhados na vida pública - Aluízio e Tatiana – foram buscá-lo nas profundas...  

    Enterrado por Ricardo Coutinho dois anos atrás, no sepulcro do “menino de Ronaldo” vigiado por corvos e urubus a visita dela não foi constrangedora para ele, pois farinha de um mesmo saco é um mesmo pó,  e de mãos dadas os dois entenderam que sem ele pedindo votos para ela o que já estava perdido poderia se tornar avacalhado.

    E o destino foi mágico, embora por demais irônico e ranzinza para com a pimentinha dos Régis da beira do mar.

    Cássio chegou faceiro, cabelos bem tratados, voz de ‘engana menino’ e só pediu ao povo do Conde pouco mais de um minuto e meio de tempo para dizer das qualidades que enxerga na candidata e avalisá-la como o bem maior que o Conde necessitaria nesse momento.

    Um tiro pela culatra, dizem os mais experientes. Um apoio desnecessário, intempestivo e fatal para sepultar de vez as pretensões de Karla e da troupe mambembe que seu falante vice Dedé Sales imagina comandar.

    Na verdade, Cássio Cunha Lima botou sobre a campanha de Karla a última pá de terra.

    E é como disse o professor Lúcio Flávio ao analisar essa inadvertida entrada de Cássio nas rinhas do Conde: a ele falta moralidade!  

    Governador cassado por compra de votos, cuja campanha fez até dinheiro voar na eleição de 2006; homem de confiança de Aécio Neves até o mineiro entrar em desgraça; citado na Operação Xeque-Mate tramando com o empresário Roberto Santiago contra a construção do Shopping Intermares; além de ter sido citado na Lava-Jato por propina da Odebrecht, Cássio Cunha Lima justifica seu apoio a Karla Pimentel lembrando as acusações da Operação Calvário contra a prefeita do Conde, Márcia Lucena, ela também um ser estranho que relegou o Município que administra optando por entregá-lo a forasteiros amigos, que se locupletam da renda do povo probo do lugar.

    E cá comigo: Karla não merecia esse final tão macabro e perverso!

  • O VALOR E O SIGNIFICADO DO PERDÃO

    29/10/2020

    Tive a alegria de ler hoje boa parte da nova Encíclica escrita pelo Papa Francisco – uma peça!

    E pinço aqui alguns pontos dela, na parte em que o religioso com iluminada inspiração pontua o valor e o significado do perdão nas nossas vidas.

    Vamos lá:

    01 - “Alguns preferem não falar de reconciliação, porque pensam que o conflito, a violência e as ruturas fazem parte do funcionamento normal duma sociedade. De fato, em qualquer grupo humano, há lutas de poder mais ou menos sutis entre vários setores.

    Outros defendem que dar lugar ao perdão equivale a ceder o espaço próprio para que outros dominem a situação. Por isso, consideram que é melhor manter um jogo de poder que permita assegurar um equilíbrio de forças entre os diferentes grupos. Outros consideram que a reconciliação seja empreendimento de fracos, que não são capazes dum diálogo em profundidade e por isso optam por escapar dos problemas escondendo as injustiças. Incapazes de enfrentar os problemas, preferem uma paz aparente.

    02 – "O conflito inevitável. O perdão e a reconciliação são temas de grande relevo no cristianismo e, com várias modalidades, noutras religiões. O risco reside em não entender adequadamente as convicções dos crentes e apresentá-las de tal modo que acabem por alimentar o fatalismo, a inércia ou a injustiça, e, por outro lado, a intolerância e a violência.

    Jesus Cristo nunca convidou a fomentar a violência ou a intolerância. Ele próprio condenava abertamente o uso da força para se impor aos outros: “Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós” (Mt 20, 25-26). Por outro lado, o Evangelho pede para perdoar ‘setenta vezes sete’ (Mt 18, 22), dando o exemplo do servo sem compaixão, que foi perdoado mas, por sua vez, mostrou-se incapaz de perdoar aos outros (cf. Mt 18, 23-35)”.

    03 – “Se lermos outros textos do Novo Testamento, podemos notar que realmente as comunidades primitivas, imersas num mundo pagão repleto de corrupção e aberrações, viviam animadas por um sentido de paciência, tolerância, compreensão. A este respeito, são muito claros alguns textos: convida-se a corrigir os adversários ‘com suavidade’ (2 Tim 2, 25); ou exorta-se a ‘que não digam mal de ninguém, nem sejam conflituosos, mas sejam afáveis, mostrando sempre amabilidade para com todos os homens. Pois também nós éramos outrora insensatos’ (Tit 3, 2-3). O livro dos Atos dos Apóstolos mostra que os discípulos, perseguidos por algumas autoridades, ‘tinham a simpatia de todo o povo’ (2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13).

    Entretanto, ao refletirmos sobre o perdão, a paz e a concórdia social, deparamo-nos com um texto de Jesus Cristo que nos surpreende: ‘Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho do seu pai, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra; de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares’ (Mt 10, 34-36). É importante situá-lo no contexto do capítulo onde está inserido. Aqui vê-se claramente que o tema em questão é o da fidelidade à própria opção, sem ter vergonha, ainda que isso traga contrariedades e mesmo que os entes queridos se oponham a tal opção. Portanto, não convida a procurar conflitos, mas simplesmente a suportar o conflito inevitável, para que o respeito humano não leve a faltar à fidelidade em nome duma suposta paz familiar ou social. São João Paulo II disse que a Igreja ‘não pretende condenar toda e qualquer forma de conflitualidade social. A Igreja sabe bem que, ao longo da história, os conflitos de interesse entre diversos grupos sociais surgem inevitavelmente e que, perante eles, o cristão deve muitas vezes tomar posição decidida e coerentemente’.

    04 – “As lutas legítimas e o perdão. Não se trata de propor um perdão renunciando aos próprios direitos perante um poderoso corrupto, um criminoso ou alguém que degrada a nossa dignidade. Somos chamados a amar a todos, sem exceção, mas amar um opressor não significa consentir que continue a ser tal; nem levá-lo a pensar que é aceitável o que faz. Pelo contrário, amá-lo corretamente é procurar, de várias maneiras, que deixe de oprimir, tirar-lhe o poder que não sabe usar e que o desfigura como ser humano. Perdoar não significa permitir que continuem a espezinhar a própria dignidade e a do outro, ou deixar que um criminoso continue a fazer mal. Quem sofre injustiça tem de defender vigorosamente os seus direitos e os da sua família, precisamente porque deve guardar a dignidade que lhes foi dada, uma dignidade que Deus ama. Se um delinquente cometeu um delito contra mim ou contra um ente querido, ninguém me proíbe de exigir justiça e me acautelar para que essa pessoa – ou qualquer outra – não volte a lesar-me nem cause a outros o mesmo dano. Compete-me fazê-lo, e o perdão não só não anula esta necessidade, mas reclama-a.  

    O importante é não o fazer para alimentar um ódio que faz mal à alma da pessoa e à alma do nosso povo, ou por uma necessidade morbosa desencadeando uma série de vinganças. Ninguém alcança a paz interior nem se reconcilia com a vida dessa maneira. A verdade é que ‘nenhuma família, nenhum grupo de vizinhos ou uma etnia e menos ainda um país tem futuro, se o motor que os une, congrega e cobre as diferenças é a vingança e o ódio. Não podemos pôr-nos de acordo e unir-nos para nos vingarmos, para fazermos àquele que foi violento o mesmo que ele nos fez, para planearmos ocasiões de retaliação sob formatos aparentemente legais’.

    Assim não se ganha nada e, a longo prazo, perde-se tudo.”

    05 – “Sem dúvida, ‘não é tarefa fácil superar a amarga herança de injustiças, hostilidades e desconfiança deixada pelo conflito. Só se pode conseguir, superando o mal com o bem (cf. Rm 12, 21) e cultivando aquelas virtudes que promovem a reconciliação, a solidariedade e a paz’.

    Deste modo a bondade, ‘a quem a faz crescer dentro de si, dá uma consciência tranquila, uma alegria profunda, mesmo no meio de dificuldades e incompreensões. E até perante as ofensas sofridas, a bondade não é fraqueza mas verdadeira força, capaz de renunciar à vingança’.

    É necessário reconhecer na própria vida que ‘inclusive aquele juízo duro que tenho no coração contra o meu irmão ou a minha irmã, a ferida não curada, aquele mal não perdoado, o rancor que só me faz mal, é uma parte de guerra que tenho dentro, é um fogo no coração que deve ser apagado a fim de não irromper num incêndio’.”

    06 – “A verdadeira superação. Quando os conflitos não se resolvem, mas se escondem ou são enterrados no passado, há silêncios que podem significar tornar-se cúmplice de graves erros e pecados. A verdadeira reconciliação não escapa do conflito, mas alcança-se dentro do conflito, superando-o através do diálogo e de negociações transparentes, sinceras e pacientes. A luta entre diferentes setores, ‘quando livre de inimizades e ódio mútuo, transforma-se pouco a pouco numa concorrência honesta, fundada no amor da justiça’.

    Várias vezes propus ‘um princípio que é indispensável para construir a amizade social: a unidade é superior ao conflito. (...) Não é apostar no sincretismo ou na absorção de um no outro, mas na resolução num plano superior que preserva em si as preciosas potencialidades das polaridades em contraste’.

    Sabemos bem que, ‘todas as vezes que aprendemos, como pessoas e comunidades, a olhar para mais alto do que nós mesmos e os nossos interesses particulares, a compreensão e o compromisso recíprocos transformam-se em solidariedade; (…) numa área onde os conflitos, as tensões e mesmo aqueles a quem seria possível considerar como contrapostos no passado, podem alcançar uma unidade multiforme que gera nova vida’.”

    07 – “A MEMÓRIA. De quem sofreu muito de maneira injusta e cruel, não se deve exigir uma espécie de ‘perdão social’. A reconciliação é um fato pessoal, e ninguém pode impô-la ao conjunto duma sociedade, embora a deva promover. Na esfera estritamente pessoal, com uma decisão livre e generosa, alguém pode renunciar a exigir um castigo (cf. Mt 5, 44- 46), mesmo que a sociedade e a sua justiça o busquem legitimamente. Mas não é possível decretar uma ‘reconciliação geral’, pretendendo encerrar por decreto as feridas ou cobrir as injustiças com um manto de esquecimento. Quem se pode arrogar o direito de perdoar em nome dos outros? É comovente ver a capacidade de perdão d’algumas pessoas que souberam ultrapassar o dano sofrido, mas também é humano compreender aqueles que não o podem fazer. Em todo o caso, o que nunca se deve propor é o esquecimento.

    A Shoah não deve ser esquecida. É o ‘símbolo dos extremos aonde pode chegar a malvadez do homem, quando, atiçado por falsas ideologias, esquece a dignidade fundamental de cada pessoa, a qual merece respeito absoluto seja qual for o povo a que pertença e a religião que professe’.

    Ao recordá-la, não posso deixar de repetir esta oração: ‘Lembrai-Vos de nós na vossa misericórdia. Dai-nos a graça de nos envergonharmos daquilo que, como homens, fomos capazes de fazer, de nos envergonharmos desta máxima idolatria, de termos desprezado e destruído a nossa carne, aquela que Vós formastes da lama, aquela que vivificastes com o vosso sopro de vida. Nunca mais, Senhor, nunca mais!’.

    Não se devem esquecer os bombardeamentos atómicos de Hiroxima e Nagasáqui. Uma vez mais, ‘aqui faço memória de todas as vítimas e inclino-me perante a força e a dignidade das pessoas que, tendo sobrevivido àqueles primeiros momentos, suportaram nos seus corpos durante muitos anos os sofrimentos mais agudos e, nas suas mentes, os germes da morte que continuaram a consumir a sua energia vital. (…) Não podemos permitir que a atual e as novas gerações percam a memória do que aconteceu, aquela memória que é garantia e estímulo para construir um futuro mais justo e fraterno’.

    Também não devemos esquecer as perseguições, o comércio dos escravos e os massacres étnicos que se verificaram e verificam em vários países, e tantos outros fatos históricos que nos fazem envergonhar de sermos humanos. Devem ser recordados sempre, repetidamente, sem nos cansarmos nem anestesiarmos”.  

    08 – “Hoje é fácil cair na tentação de voltar página, dizendo que já passou muito tempo e é preciso olhar para diante. Isso não, por amor de Deus! Sem memória, nunca se avança; não se evolui sem uma memória íntegra e luminosa. Precisamos de manter ‘viva a chama da consciência coletiva, testemunhando às sucessivas gerações o horror daquilo que aconteceu’, que assim ‘aviva e preserva a memória das vítimas, para que a consciência humana se torne cada vez mais forte contra toda a vontade de domínio e destruição’.

    Precisam disso as próprias vítimas – indivíduos, grupos sociais ou nações – para não cederem à lógica que leva a justificar a represália e qualquer violência em nome do mal imenso que sofreram. Por isso, não me refiro só à memória dos horrores, mas também à recordação daqueles que, no meio dum contexto envenenado e corrupto, foram capazes de recuperar a dignidade e, com pequenos ou grandes gestos, optaram pela solidariedade, o perdão, a fraternidade. É muito salutar fazer memória do bem.  

    09 – “Perdão sem esquecimentos. O perdão não implica esquecimento. Antes, mesmo que haja algo que de forma alguma pode ser negado, relativizado ou dissimulado, todavia podemos perdoar. Mesmo que haja algo que jamais deve ser tolerado, justificado ou desculpado, todavia podemos perdoar. Mesmo quando houver algo que por nenhum motivo devemos permitir-nos esquecer, todavia podemos perdoar. O perdão livre e sincero é uma grandeza que reflete a imensidão do perdão divino. Se o perdão é gratuito, então pode-se perdoar até a quem resiste ao arrependimento e é incapaz de pedir perdão.

    Aqueles que perdoam de verdade não esquecem, mas renunciam a deixar-se dominar pela mesma força destruidora que os lesou. Quebram o círculo vicioso, frenam o avanço das forças da destruição. Decidem não continuar a injetar na sociedade a energia da vingança que, mais cedo ou mais tarde, acaba por cair novamente sobre eles próprios. Com efeito, a vingança nunca sacia verdadeiramente a insatisfação das vítimas. Há crimes tão horrendos e cruéis que, fazer sofrer quem os cometeu, não serve para sentir que se reparou o dano; não bastaria sequer matar o criminoso, nem se poderiam encontrar torturas comparáveis àquilo que pode ter sofrido a vítima. A vingança não resolve nada”.

    10 – “Também não estamos a falar de impunidade. Mas a justiça procura-se de modo adequado só por amor à própria justiça, por respeito das vítimas, para evitar novos crimes e visando preservar o bem comum, não como a suposta descarga do próprio rancor. O perdão é precisamente o que permite buscar a justiça sem cair no círculo vicioso da vingança nem na injustiça do esquecimento.

    Se houve injustiças de parte a parte, é preciso reconhecer claramente a possibilidade de não terem tido a mesma gravidade ou de não serem comparáveis. A violência exercida a partir das estruturas e do poder do Estado não está ao mesmo nível que a violência de grupos particulares. Em todo o caso, não se pode pretender que sejam recordados apenas os sofrimentos injustos duma das partes. Como ensinaram os bispos da Croácia, ‘devemos o mesmo respeito a toda a vítima inocente. Aqui não pode haver diferenças étnicas, confessionais, nacionais ou políticas’.”

    11 – “Peço a Deus que ‘prepare os nossos corações para o encontro com os irmãos independentemente das diferenças de ideias, língua, cultura, religião; que unja todo o nosso ser com o óleo da sua misericórdia que cura as feridas dos erros, das incompreensões, das controvérsias; [peço] a graça que nos envie, com humildade e mansidão, pelas sendas desafiadoras mas fecundas da busca da paz’.!”

  • BATE-ESTEIRA DE ANA CLÁUDIA

    14/10/2020

    Há anos, devido a termos FALCÃO no batistério, quando nos encontramos o cumprimento é familiar - de primos, talvez!  

    Assim vem sendo desde quando nós dois, ao lado de Tico Lira num barzinho de posto de gasolina na Liberdade, avaliàvamos as chances dele se eleger Vereador em Campina Grande.

    Na Câmara, eu e ele vereadores na mesma legislatura, era primo pra lá, primo pra cá...

    Nos encontros de rua, seja no açougue de Clóvis lá no Zepa, seja na feira central, o aperto de mãos continua sendo de primos...

    Mas não somos parentes, não.

    Ou melhor, somos sim, exclusivamente pelos vínculos com Adão e Eva!

    Acho mesmo que nem Seu Ovídio e nem Dona Virgilia sequer tinham conhecimento da existência de Inácio e muito menos do que ele pudesse representar algum dia na fila do pão.

    Um parentesco similar ao que tenho com os MARINHO da Rede Globo, com a absoluta certeza de que, se assim viesse a ser ou se assim fosse eu seria ou serei sempre o tal do “primo pobre”.

    Inácio é do bem e sempre foi simples, humilde e cordato no tratar. Não é lá essas inteligências todas, mas dá p’ro gasto.  

    Na política partidária sempre se deu bem e isso, para ele, tem sido mais o que vale hoje em dia. Portanto, não se exija de Inácio essas coisas chatas de ideologia, companheirismo ou fidelidade.  

    Mesmo porque regra maior nesse mundo da busca de votos é essa mesma de não ligar pra isso aí. Os fins, sejam quais forem, existem para justificar os meios e, já dizia a mim e a ele no plenário da Casa Félix Araújo o nosso comum amigo Fernando Carvalho, amigo de hoje é o inimigo de amanhã; e vice-versa.

    Acho que por causa disso não estranhei muito ontem no debate da TV Arapuan ver meu “primo” Inácio atuar como “bate-esteira” de Ana Cláudia, mas não posso aqui deixar de confessar que me decepcionei...  

    Inácio não está inovando, é certo. Ana Mangueira deu aulas lá atrás quando se passava até a abanar Cássio Cunha Lima da quentura dos debates e do arrocho dos adversários. E hoje, sem revelar o talento da honrada mulher de David Mangueira, o candidato do PCdoB até que se esforça, mas o resultado é muito penoso – para ele e para Ana, principalmente.

    Até poderia concordar com Marcos Alfredo Alves, meu estimado amigo e ex-diretor d’APALAVRA, quando em análise impecável sobre o debate da Arapuan diz que meu “primo” até tentou não sofrer maiores danos à imagem e que repetiu o desempenho do primeiro debate, no último dia 8, na Rádio Arapuan, em Campina Grande: “uma clara estratégia ensaiada com Ana Cláudia, só deixando sob mistério uma questão: quem é laranja de quem?”

    Mas prefiro ficar com a imagem nordestina, e Inácio é razoável vaqueiro, ou melhor, sofrível batedor de esteira”.

    Eu só lamento que ele, a continuar exercendo esse papel pra lá de ridículo, chamusque ainda mais o seu currículo e não venha futuramente repetir as expressivas votações que Campina Grande sempre lhe deu.  

    A resposta a comportamentos desse naipe a História tem dado. É só pesquisar.

    A OPNIÃO DE MARCOS ALFREDO

    Das aspas em diante o texto é do jornalista Marcos Alfredo Alves, postado em seus perfis das redes sociais. Ele viu exatamente o que eu vi, portanto, é perfeita a análise sobre o debate de ontem:

    “Por que Bruno foi o melhor no debate da TV Arapuan?

    Por mais de duas horas, os seis candidatos a prefeito de Campina Grande participaram do debate promovido pela TV Arapuan, em João Pessoa, na noite desta terça-feira, 13.

    Eis uma síntese sobre o desempenho de cada um:

    BRUNO - Pela forma serena, segura, elegante e sem descer a ataques pessoais ou mais violentos aos concorrentes, o candidato do PSD cumpriu o papel a que se propôs, expôs bem sua mensagem de postulante governista - apresentando dados comparativos inquestionáveis - e deixou evidente as linhas básicas de seu Plano de Gestão. Foi didático, incisivo e convincente ao defender suas estratégias para governar a cidade, a partir de janeiro de 2021, com o cenário adverso do pós-pandemia.

    BOLINHA - Saiu visivelmente com a imagem arranhada no debate. Ao digladiar com Ana Cláudia, tendo o ex-governo Veneziano como pauta, literalmente perdeu o prumo em seu desempenho até no momento de pedir voto.  

    ANA CLÁUDIA - Deu mostras de não ter assimilado uma exposição mais incisiva de Bruno no segundo bloco, também pelo ônus de defender o legado administrativo desgastado do marido Veneziano. Em dado momento, trouxe ao debate por iniciativa própria o nome do cunhado Vital do Rêgo, réu na lava-jato.

    INÁCIO - O candidato comunista até tentou não sofrer maiores danos à imagem, mas repetiu um desempenho do primeiro debate, no último dia 8, na Rádio Arapuan, em Campina Grande: expôs uma clara estratégia ensaiada com Ana Cláudia, só deixando sob mistério uma questão: quem é laranja de quem?

    OLÍMPIO - É o que se apresenta como o mais ideológico dos candidatos. Defende mais bandeiras conceituais do que propostas de governo. Criou o momento meme do debate: cantou "Ela Nem Olhou Pra Mim, de Petrúcio Amorim, para Bolinha e de Ademar Oliveira pelo papel ridículo de disputar a atenção de Bolsonaro no aeroporto João Suassuna.

    EDMAR - Não esconde muitas limitações e falta de experiência na seara política, marcou seu desempenho no debate na cobrança de apoio financeiro para a campanha, por duas vezes, à presidência do partido.

  • A "ópera bufa" da TV Master

    06/10/2020

    Esvaziado pelas ausências de Inácio Falcão (PCdoB) e Bruno Cunha Lima (PSD), o debate de ontem na TV Master com os quatro outros candidatos a prefeito de Campina Grande teve uma única coisa boa: a certeza de que ainda temos gente com razoável capacidade intelectual fora do núcleo familiar das oligarquias que administram a Rainha da Borborema há quase - ou mais - meio século.

    No mais, o insosso programa do igualmente insosso Alex Filho numa emissora distante 120 quilômetros do telespectador-alvo passa à história do meio midiático paraibano como uma mesmice sem criatividade que não conseguiu atrair nenhum público, a não ser o de “baba ovos” dos candidatos, os famosos xeleléus que nesse tempo de eleições afloram na porta de cada um e passam a desempenhar exatamente esse serviçal e deplorável papel de “arroto choco”, embora ainda assim indispensáveis para quase todos.

    Também serviu para uma mostra reiterada de que o jornalismo por estas paragens morreu, foi sepultado e não deixou saudades, o que é constrangedor e deveras lamentável para um velho profissional como este que vos escreve constatar.

    Campina Grande contenta-se hoje com o lixo apelidado de jornalismo que se faz em João Pessoa, daí a razão de uma TV de lá achar-se na obrigação de pautar um debate eleitoral para suprir a preguiça e a lacuna das que temos aqui, agora acostumadas a reproduzir os enlatados de deplorável produção vindos da beira do mar...

    É certo que ainda nos resta produções razoáveis nas TV’s Itararé e Borborema que, embora sofríveis do ponto de vista técnico, ainda assim conseguem superar em criatividade toda aquela borra que os dirigentes dos sistemas de comunicação mandam empurrar de goela abaixo do telespectador e do rádio-ouvinte da Borborema, num ultraje à nossa história.

    Feita a ressalva, voltemos ao foco desse texto: o debate da TV Master!

    É claro que eu não tive estômago para assistir aquilo lá do começo ao fim... Meu tempo de tomar purgante já passou, felizmente. Mas, repórter com bom faro que continuo sendo, não pude deixar de dar espiadas e ver, por exemplo, a tentativa quase desesperada de Alex Filho em tentar carimbar Bruno Cunha Lima como fujão indelicado, segurando até às dez da noite a nota que o neto de Ivandro, cinco horas antes do início do debate, enviara para todas as redações do Estado dizendo da impossibilidade de não se fazer presente aos estudios da TV Master, por problemas de ordem médica em pessoa da sua intimidade familiar.

    Aqui mesmo A PALAVRA noticiou a justificativa de Bruno para Alex Filho antes do anoitecer...

    Do debate, extraí a certeza de que o candidato Olímpio Rocha vai fazer estrago. Mostrou-se preparado, alegre, culto e feroz, quando instigado a sê-lo, além de aparentar pleno domínio dos problemas que assolam Campina Grande. E com um detalhe digno de reflexão: sem necessitar de atacar a gestão atual nem as anteriores, desprezando de vez o famigerado espelho retrovisor que continua sendo tábua de salvação para aqueles que não apresentam projetos ousados para governar a cidade.

    Eu já sabia do laço hereditário do candidato, cria de Márcio Rocha, de longe um dos mais gabaritados vereadores de todos os tempos por aqui, mas não imaginava que a sua tenra idade já comportasse uma excelente bagagem de gente grande... A surpresa foi para mim o melhor do debate.

    Arthur Bolinha, que continua sendo sagaz e inteligente e toda Campina Grande reconhece a sua capacidade empresarial e o seu dinamismo gerencial enquanto empreendedor, não tivesse comparecido e enviado para Alex Filho um DVD de debate ou programa da sua última campanha, certamente faria melhor por conta da originalidade, que nesse debate de agora lhe faltou.

    Tudo que hoje Bolinha fala já foi falado lá atrás! Com as mesmas vírgulas, as mesmas reticências e as mesmissimas interrogações.

    Pode ter sido por conta da pandemia, essa brecada dele no tempo.

    Edmar Oliveira, o homem do PATRIOTA, mostrou serenidade e sabedor do seu tamanho pelo menos não se emprestou ao papel de “bate esteira” de ninguém, como a história nos faz lembrar da querida médica Ana Mangueira que ajudava Cássio Cunha a se safar de encruzilhadas em debates pretéritos.

    E daquela, por quem muitos apostaram seria a mais desenvolta, restou a frustração. Ana Cláudia circunscreveu-se a um script escrito pela assessoria - ou talvez mesmo pelo marido - e sua presença nos estúdios da TV Master reluziu, de fato. No brilho da maquiagem, na elegância a partir do finíssimo guarda-roupa e, vez por outra, no sorriso que continua sendo a sua melhor marca.

    Mas... De projetos seus, zero! O que propõe é recuperar aquilo que o marido oito anos atrás realizou.  

    Um tanto escanteada pelos demais concorrentes, conseguiu ter a proeza de um momento interessante. Aquele em que, em tom de súplica, pediu a Bolinha que esquecesse de Romero Rodrigues e debatesse com ela. Mas nem isso: Bolinha deu-lhe ouvidos de mercador.

    Resumo da bufa ópera: a TV Master e quem se atreveu a sintonizá-la ontem viu que sem Inácio Falcão e sem Bruno Cunha Lima melhor mesmo é cancelar qualquer outro debate.

  • IVONETE PÉ DE CHINELO

    01/10/2020

    O casal Manuel/Ivonete Ludgério, ele deputado estadual e ela vereadora-presidente da Câmara Municipal de Campina Grande, ambos filiados ao PSD que é presidido na Paraíba pelo aliado histórico Romero Rodrigues, tentou de tudo para convence-lo a apoiar a pretensão do parlamentar de sair candidato a prefeito pela base governista, que acabou sendo definida pelo nome de Bruno Cunha Lima.

    Como os anais da mídia local registram, o jogo foi de baixíssimo nível, sobretudo da parte de Ivonete, reconhecidamente muito mais beligerante que o marido – uma “barraqueira”, como se diz no linguajar da periferia.

    Conciliador nato, coube ao prefeito Romero Rodrigues com impressionante paciência e extremado “jogo de cintura” celebrar o que a muitos parecia impossível: calar o inoportuno casal.

    Definido o nome de Bruno, Romero juntou todos os aliados em torno dele e acreditou piamente que o passado virou poeira... Manuel e Ivonete, fumado que foi o tal cachimbo da paz, iriam para a batalha de pedir votos para Bruno no meio da rua como se pedissem para eles.  

    Aliás, como ficou devidamente combinado, tudo na base do ‘prego batido e ponta virada’.

    Ivonete, entretanto, não se contentou com a retirada de cena do marido, que havia em manifesto publicado nas redes sociais para pressionar Romero, elencado todas as suas qualidades (sic!?) e mais: a fidelidade que jurou no documento ser “canina” ao chamado “Grupo Cunha Lima”, razão pela qual se achava merecedor da vaga de candidato a prefeito, pois a seu ver e ao ver da sua baixinha, ninguém mais possuía tão brilhante biografia.



    Campina Grande toda lembra do inconsequente discurso de Cássio Cunha Lima quando Romero decidiu entre Bruno e Tovar qual dos dois - já havia ele excluído Manuel - receberia o beneplácito do seu apoio, ocasião em que deu um mote do tamanho da Montanha de Maomé à oposição ao identificar Bruno Cunha Lima e Lucas Ribeiro como finas flores da mais genuína ELITE campinense.   

    O sinal de Cássio, ele também provavelmente chateado por não ter sido dada a chance da candidatura ao seu filho Pedro, ou a si próprio, sabe-se agora que amoldou-se ao casal Ludgério, que passou a ser fiel depositário de um ‘fogo amigo’ que o ex-Senador não teve coragem de acender, mas que encontrou em Ivonete a labareda mais fumegante para atrapalhar a caminhada dos netos de Ivandro e de Enivaldo na busca da cadeira maior do Palácio do Bispo.



    Ser da ELITE, em uma cidade de tanta pobreza como Campina Grande e seus distritos e zona rural, é como se o ungido fosse chamado de anti-Cristo, e o inteligente Cássio Cunha Lima não desconhece isso.

    Mas, Cássio Cunha Lima à parte, vamos ao que interessa registrar: a ardilosa armadilha da vereadora.

    Ontem cedinho, eu ainda cumprindo compromissos no Conde, recebi fotos de material de propaganda política que estava sendo rodado em Campina Grande por encomenda de Ivonete Ludgério para alavancar a sua candidatura, mas de tão inusitado o pacote achei ser uma brincadeira ou, na melhor das hipóteses, uma notícia falsa, ou Fake News, como os que adoram modismos gostam agora de apelidar o que não é verdade.  

    Que a digníssima do deputado Manuel não é lá esse rompante de inteligência e sabedoria, isso até esquecidos e caçados pombinhos de João Pinta Cega na Praça da Bandeira sabem muito bem, daí eu não ter dado atenção ao material, caso contrário estaria atestando ‘burrice’ em elevado grau na ilustre presidente da Casa Félix Araújo.

    Os registros econômicos da Paraíba já elencam, há anos, o deputado Manuel Ludgério como um novo milionário, estando aí em terra de pouca gente da ELITE uma das razões do seu sucesso eleitoral e também do sucesso eleitoral da esposa, que apesar de tanta riqueza acumulada, ainda assim à falta de melhor modo de tratar o eleitor já tem carimbado no currículo uma derrota nas urnas, coisa que a faz chorar quando lembra disso.

    Ivonete, principalmente ela, não é nenhum ‘pé rapado’ da vida. E o eleitor que recebe os seus presentes sabe disso e vota por isso. O toma-lá-dá-cá sempre encontrou no popularesco casal o ambiente mais que perfeito para florescer...

    Daí porque eu fiquei incrédulo ao abrir o envelope que a boa fonte me mandou e verificar que Ivonete vai incendiar a campanha de Bruno, até torrá-la deixando-a no pó se possível, mas ao mesmo tempo o fogo que está tocando também vai murchar a sua caminhada. Ou seja, as labaredas dela podem até matar Bruno e Lucas, mas ela morrerá no mesmo sufoco!

    A primeira foto é da impressora com dúzias de sandálias em papel colante na forma de botton, onde em letras garrafais antecedendo o nome e o número da vereadora se lê: ORGULHO DE SER PÉ DE CHINELO.

    Teimei em pensar ser mentira. Alguém certamente queria que eu fizesse o registro n’APALAVRA e o FAKE, por conta da alta credibilidade do portal, ganharia foro da mais cristalina verdade.  

    Só podia ser isso!

    Guardei o envelope e me policiei a esperar pelo menos mais 24 horas. E antes do prazo findar, caiu-me o queixo: no perfil do Facebook da cunhada de Ivonete, Elizabeth, por sinal minha ex-colega de repartição na Justiça do Trabalho, a realidade definitivamente foi hasteada: Ivonete Ludgério se auto-denomina ‘Pé de chinelo’ para exatamente perante o eleitorado se contrapor a Bruno e Lucas, identificados por Cássio como gente da elite que ela abomina e diz não fazer parte, mesmo que as contas bancárias a desmintam esplendorosamente.

    Diz o Aurélio que PÉ DE CHINELO (adjetivo e substantivo masculino) é o “que ou quem não tem meios financeiros ou materiais”. Um POBRE, na melhor configuração do termo. Nada a ver, portanto, com Dona Ivonete Ludgério.

    No Brasil, PÉ DE CHINELO é ainda conhecido como “marginal pouco perigoso”, ou seja, um ladrãozinho de meia tigela, de bujão de gás, nada a ver com ladrões engravatados que tanto a gente costuma ver por aí... E é por isso que eu aconselho aos políticos: cuidado com o fogo amigo!

    Escutou isso, Bruno Cunha Lima e Lucas Ribeiro? 

  • NOSSO ELEITORADO EM 2020

    24/09/2020

    Oito anos anos atrás Campina Grande tinha 280.207 eleitores e agora soma 285.020, um crescimento de pouco mais de 2% em quase uma década.

    Dividido numericamente o crescimento, dá apenas 601 eleitores por ano, um caso realmente a ser estudado e que prova, de modo inegável, que os nossos jovens se formam aqui, mas imediatamente se mandam para outras plagas, à falta de emprego que os segure onde nasceram.

    O otimista pode me contrapor ao informar que no Brasil o crescimento também foi irrisório, de apenas 2,67% (2.958.369 eleitores), mas essa conta nacional diz respeito apenas aos últimos dois anos e não aos oito, como na Serra da Borborema. 


    Naquele ano dos 280.207 eleitores Romero Rodrigues venceu o Primeiro Turno com 97.659 votos (44,94%), Tatiana Medeiros, que com ele foi disputar a rodada complementar obteve 65.195 votos (30,00%), Daniela Ribeiro somou 36.801 votos (16,80%), Guilherme Almeida na quarta posição teve 6.871 votos (3,16%) e segurando a lanterna ficou Arthur Bolinha, com  6.177 votos (2,84%).

    O segundo turno foi conquistado por Romero Rodrigues, que quatro anos adiante se reelegeu no turno inicial e fez o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego amargar uma vergonha sem precedentes em competições municipais, quando alcançou somente 24% dos votos válidos.  

    Para as eleições deste ano de 2020 estarão aptos a votar no Brasil, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 147.918.483 eleitores.

    Na Paraíba, que em 2018 contava com 2.889.731 eleitores, este ano o número por pouco não fechou em três milhões - são agora 2.966.759 aptos a votar em 15 de novembro.

    Vejamos os principais colégios eleitorais da Paraíba, em números oficiais do TSE:


    - João Pessoa: 522.269;

    - Campina Grande: 285.020;

    - Santa Rita: 94.595;

    - Bayeux: 71.288; e

    - Patos: 63.933.

    SEM BRASILEIROS

    Com a retomada dos voos aéreos, passada a fase mais aguda da pandemia do novo coronavírus, dirigentes das quatro principais companhias brasileiras vão se unir, de forma inédita, para uma importante comunicação conjunta aos clientes, quando irão reforçar o compromisso com a segurança e a saúde dos passageiros.

    Isso acontecerá  em um painel a ser transmitido virtualmente durante a ABAV COLLAB, a edição anual da Agência Brasileira de Agências de Viagem.

    Um detalhe: nenhum dos quatro mandatários das nossas aéreas é brasileiro.

    - John Rodgertson preside a Azul; Jerome Cardier é da LATAM; Paulo Kakinoff preside a GOL; e Eduardo Busch manda na VOEPASS.

    RECORDE DE CANDIDATOS

    Pode chegar a 400, batendo recorde, o número de candidatos a Vereador em Campina Grande no pleito deste ano. Até ontem (quarta feira) 380 pessoas tinham solicitado registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas como o prazo para registro de candidaturas vai até sábado (26), é provável que a conta feche. Importante lembrar: o Legislativo municipal campinense dispõe apenas de 23 vagas.

  • FURDUNÇO ELEITORAL

    21/09/2020

    A campanha eleitoral deste ano em Campina Grande está um furdunço. Parece até com  aquele famoso couro que todos conhecemos - o que estica e encolhe, estica e encolhe...  

    Se isso é bom ou ruim, não sei. Só sei que estamos em tempos modernos, de internet, de fim do palanque, sem mais olho-no-olho e, do passado, restando somente o notório interesse pessoal se sobrepondo ao coletivo.

    Aquele modo de fazer política como sacerdócio como cantava Ronaldo Cunha Lima, já era.

    Política é negócio e nada mais.

    Vejamos:

    - O MDB de Zé Maranhão mandou a bonita médica Tatiana Medeiros caprchar na maquiagem do rosto, pentear o cabelo e a apresentou como formosa miss ao eleitorado.  

    Mas...  

    O “reinado” não durou 15 dias e a médica naufragou.  

    MDB e PCdoB negociaram uma aliança de surpresa e a chapa que provavelmente estará na urna deverá ter as caras de Inácio Falcão e Tatiana.

    - No lado da mulher do senador Veneziano o vai e vem também tem se intensificado. Com muito esforço e lenga-lenga ela conseguiu o apoio de João Azevedo, mas não avaliou ainda se isso lhe acrescenta ou lhe diminui, dada a alta rejeição do governador na Serra da Borborema, ante a inércia da gestão.

    - Inácio Falcão estava na ponta das pesquisas, mas dizem que desceu pro segundo lugar depois que o nome de Bruno Cunha Lima passou a ser o de candidato oficial do prefeito Romero.

    Inácio, aliás, teve um suspiro bom quando Lígia e Damião Feliciano avisaram que dariam nova rasteira em João e ficariam com ele.

    Claro que João, ainda sem digerir a rasteira que a dupla lhe passou em João Pessoa quando migrou para o terreiro de Cartaxo e Edilma, engrosou o caldo e mandou avisar à sua vice que obviamente não tinha poderes pra demiti-la, mas que a caneta estava afiadíssima para alcançar Gustavo, o filho gordinho da dupla que é secretário de Estado.

    Gustavo não quer perder seus quase 30 mil de salário, as mordomias do cargo e o bom viver na mansão da praia do Bessa, de modo que peitou papai e mamãe e os obrigou a dar o famoso ré prá trás.  

    Pirulito docinho na boca, coube ao próprio Gustavo correr ao apartamento de Ana Cláudia e selar a paz que João Azevedo ordenou. Mas, não se sabe se as fotos de Ana e Gustavo poderão estar na urna em 15 de novembro, porque ainda é bastante temerário para tais assertivas.

    - O lenga-lenga no lado de Ana também se deu na escolha do vice, que ela optou por aceitar um militar da PM, por ordem do Palácio da Redenção, machucando o playboy da Academia Korpus que o marido recomendara, aquele mesmo que Romero levou ao precipício em 2016 abraçado a Vené. E nem precisa dizer que o “parto” deixou sequelas.  

    Que o diga a ilustre família Medeiros.

    - O outrora forte PSB correu da raia e Fábio Maia optou por limitar-se à cozinha, onde se declara Master Chef. Tirou o seu da seringa, aliou-se ao PSOL e, como seu forte é mesmo cozinhar, pegou a enteada do Baixinho do Restaurante, que há anos preparava filés à parmegiana, e a indicou para vice do filho do ex-Vereador Márcio Rocha.  

    E ponto final.  

    - Já Arthur Bolinha faz um lenga-lenga diferente. Preocupado em anunciar um secretariado que com ele sonha governar Campina Grande, já formou toda a equipe.  

    E como o caso está mais para patologia clínica do que para política partidária, botou como vice uma linda jovem com nome de Rainha – médica Anelliese Menegueso – cujo maior feito, justificando a escolha, foi entregar uma camisa do derrotado Treze no Palácio do Planalto a Jair Bolsonaro.  

    E é óbvio que a grande Nação raposeira de Campina Grande se prepara para dar o troco na urna, o que não é nada bom para o dono da Rutra.

    Até aqui, repita-se, até aqui, quem ainda continua navegando em céu de brigadeiro é Bruno Cunha Lima e o neto de Enivaldo Ribeiro, Lucas.

    Até aqui, eu disse! 

  • NO ‘JEITINHO‘ BRASILEIRO

    17/09/2020

    Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, agora eu já posso afirmar, ficaram desmoralizados literalmente este ano com a tal da “pré-campanha”, que de tudo e mais alguma coisa teve, às vistas de papel de enrolar prego das duas instituições.

    LIVE’s em profusão, na verdade foram comícios eletrônicos...

    Caminhadas por ruas, becos e vielas se deram de manhã, de tarde e de noite, em todo canto...  

    E tudo quanto é ser humano - menino e menina, velho e velha, aleijado e doido – tava vendo que candidato chamado de PRÉ não tinha nada mesmo de PRÉ.

    Convém lembrar, a propósito, que esse continua sendo o País do famoso jeitinho; que, em se plantando, tudo dá; e aonde impera a Lei de Gerson - lembram dela? - , tão bem apreciada por políticos, eleitores e também por juízes, promotores, desembargadores e etc. e tal.

    MEU CANAL

    A partir de outubro esses mini-podcast’s vão ganhar cara e cor.  

    Meu canal no Youtube já está pronto, recebendo apenas retoques de fundo, que o sobrinho Vinicius esmeradamente vem caprichando.  

    O lado ruim é que você, contumaz leitor dos meus escritos, vai ter que se acostumar a ver esta minha cara velha de quase setenta anos caga..., quero dizer ‘lavada e cuspida’, como a gente costuma dizer no maravilhoso modo do nordestino se entender.

    Aliás, é mesmo bom que fique dito, cara sem lustre nenhum. Nem de óleo de Peroba, como tantas outras caras que a gente é obrigado a ver especialmente nessa indigesta época de caça aos votos.

    FILHO PRÓDIGO

    Por tê-lo na condição de minha referência radiofônica em Campina Grande, não sou suspeito para discorrer sobre o genial Kennedy Sales, aquele jovem que nos anos áureos de Veneziano Vital na prefeitura da minha terra comandou com invulgar competência a comunicação institucional do ex-cabeludo.  

    Kennedy, como outros tantos leais e zelosos profissionais que deram o sangue para ver Vené governar Campina, foi escanteado e, também como alguns poucos desses heróicos ainda com vergonha na cara deu seu grito de independência e publicamente disse os motivos, aproveitando para elencar tudo que deu de sí para o sucesso daquele que imaginava ser seu amigo.

    Final de semana passado eu tive a grata surpresa de ouvir Kennedy conduzir, com sua voz inconfundivelmente bela de fenomenal animador de palco e palanque, a convenção conjunta dos partidos que homologaram a candidatura a prefeita da mulher amada do senador, Ana Cláudia Vital do Rego.

    Kennedy se encaixa perfeitamente na parábola do filho pródigo. A única diferença é que ele não voltou. Foi procurado!

    E eu, feliz, torço pelos dois: ele e Aninha.

    PRATO FRIO


    O óbvio, ou o mais previsível, era Maranhão levar sua nova musa Tatiana Medeiros a apoiar Ana Cláudia no seu projeto de governar Campina Grande, dama que ele também adora até mesmo por razão familiar – a de que Jordano, irmão dela, é casado com a sobrinha estimada da desembargadora Fátima Bezerra e a quem o homem de Araruna sempre fez questão de tratar como filha.  

    Mas, Zé preferiu botar a médica como vice de Inácio Falcão, mesmo sujeitando-se às críticas ideológicas que envolvem a aliança MDB-PCdoB por uma razão que nem o coração consegue controlar: vingar-se das armadilhas que Veneziano e seu mano mais velho Vitalzinho ao longo de anos sempre colocaram no seu caminho na inútil tentativa de tirar-lher o comando do partido do saudoso Ulysses Guimarães.

    Vingança, como os sábios ensinam, é um prato que se serve frio mesmo.  

    CALÇAS ARRIADAS

    O “cozinheiro” e professor Fábio Maia não resistiu à ausência de apoios e votos para manter-se candidato a prefeito de Campina Grande pelo PSB de Ricardo Coutinho e “arriou as calças” para o PSOL que na véspera havia anunciado que com ele correria o campo.

    Agora o PSOL, com APOIO (sic!?) de Maia, vai de Olímpio Rocha, filho do ex-Vereador e médico Márcio Rocha, e Sheyla Campos, a enteada do Baixinho do Restaurante, conhecida casa de pasto na Liberdade que faliu meses atrás por falta de gestão - dela, inclusive, que respondia pela parte financeira.   

    N’OUTROS TERREIROS

    Os Felicianos, leia-se a doutora Lígia e o doutor Damião, se planejam para a todo custo saírem da condição de coadjuvantes no processo político estadual e ganharem de vez a pole-position.

    Para isso, nada melhor do que investir na eleição municipal, a que faz prefeitos agradecidos obrigados a retribuir as ajudas e apoios dois anos mais tarde.

    Daí as razões, mais do que justificáveis para eles, embora nada éticas, das rasteiras que a vice e o deputado deram no ainda imaturo João Azevedo, baldeando a água do governador em João Pessoa, em Campina Grande e, estou sabendo, em vários outros Municípios da heróica Paraiba.

    Que João bote as barbas em bom molho, porque em 2022 o coração de Lígia e Damião vai bater mais forte, mas em outros terreiros.

    CONVENÇÕES NO CONDE

    O dia ontem no Conde foi de festa política. Os principais pré-candidatos a prefeito, à exceção da prefeita Márcia Lucena que optou por antecipar agenda, fizeram as suas comedidas convenções e cada qual, devido aos rigores protocolares impostos pela COVID-19, com os seus cada quais desincumbiram-se a contento do que tinham programado.

    Na de Olavo Macarrão, no mesmo centro cultural que leva o nome do pai da prefeita e onde ela dia 13 passado teve seu nome homologado para a reeleição, desfilaram no telão colocado no palco os deputados Wilson Santiago (federal), Wilson Filho (estadual) e o governador João Azevedo, aliás a principal e mais esperada figura do evento.

    Os Santiagos, que na Paraíba mandam no PTB, reiteraram apoio a Macarrão e prometeram muito trabalho e parcerias com ele a partir de janeiro de 2021.

    E João fez de modo brilhante e convincente a parte que dele todo mundo aguardava: explicitar o seu apoio e o apoio do Governo ao jovem condense, desanuviando de uma vez por todas tudo o que se tramava contra o prestígio de Macarrão junto à maior autoridade do Estado.

    João garantiu priorizar o Conde nas políticas públicas da sua gestão, até mesmo por levar em conta a importância estratégica do Município para a região metropolitana da Capital, e massageou o ego do candidato do CIDADANIA como nunca ninguém ainda tinha feito antes.

    A DEUS E AO DIABO

    Na convenção da nora de Aluízio Régis e Tatiana Lundgreen, Karla Pimentel (PROS), raras foram as estrelas a brilhar. O evento acabou terminando primeiro do que o de Olavo, ambos na sede do Conde separados um do outro apenas por três quarteirões.

    Digno de infeliz registro foi o local onde Karla se aninhou para fazer a convenção: a Casa Pastoral da Igreja Católica, a que ela repudia veementemente em suas pregações, já que na condição de evangélica e em momentos de emoção entra em êxtase e mistura política com religião, amálgama não recomendado pela boa ética.

    O detalhe: ainda ontem de manhã, mesmo dia da convenção, Karla fez publicar em redes sociais demorado vídeo retratando um culto em Ação de Graças que evangélicos por encomenda fizeram para ela e que mais se assemelhava a uma sessão de descarrego onde  a teatrologia falou mais alto e os atores - pastores, fiéis e eleitores e ela mesma – entraram em transe.  

    Karla falou da doença que a deixou “vinte dias na cama” e se vitimizou o quanto pode, mas ao sair correu em busca do padre para rogar a sua benção e pedir por súplica as instalações da Casa Paroquial para, desse modo, talvez se penitenciar daquilo que ela mesma possivelmente não acredite.

    Nesse caso, a certeza é total: Karla literalmente acendeu uma vela a Deus e outra ao Diabo.

    BATE -ESTEIRA

    A convenção de Menudo e Edinho Mendes, feita ainda com luz do dia, foi como um relâmpago. E a dúvida, quase certeza, que continua pairando no ar e no processo eleitoral é de que a dupla seja ‘bate-esteira’ de Márcia Lucena.

    A estrela presencial, ainda assim ofuscada pelas incertezas, foi o deputado estadual Branco Mendes, que até a undécima hora conspirava para convencer João Azevedo a abandonar Olavo Macarrão, o que não conseguiu.

    Pelo sim, pelo não... recomenda-se o eleitor observar os passos da dupla.

    ENCONTRO CASUAL COM ALUÍZIO

    Vindo ontem pela manhã do Conde tive o fortuito desprazer de encontrar o ex-prefeito Aluízio Régis na barraquinha ao lado do restaurante da sua nora onde costumo comprar cará da região e feijão verde, na entrada de Jacumã.

    Ele me conhece há anos, mas acho que o Alzheimer que lhe ronda tem intensificado o assédio nessa época eleitoral. Daí que correu a me interpelar como se forasteiro eu fosse.

    - “Tu vota aqui ?”, indagou-me.  

    Mentí, para provocá-lo:  

    - “Voto, sim”.

    - “Na minha nora, né ?”, perguntou fazendo pose para o casal humilde de barraqueiros com quem estava conversando.  

    - “Gosto muito dela, mas meu voto é de Macarrão”, cortei o papo enquanto escolhia as peças de cará.

    - “Não senhor, tem que votar na minha nora, oxeeee”, ordenou fazendo outra pergunta:

    - “Por que tu vai votar em Macarrão? Tu conhece Macarrão? Tu sabe a história dele? Tu sabe o que é que ele é?”, metralhou.  

    - “Porque é um jovem preparado, não tem histórico de corrupção em sua família e sonha com  um Conde onde o seu povo seja tido como gente e possa exercer a cidadania com dignidade e sem medo”, respondi-lhe informando que tinha tido acesso a algumas pesquisas e todas elas mostravam a curva ascendente de Macarrão, em contraponto às curvas de Márcia e de Karla, uma descendente e a outra estável.

    - “ E quem mandou fazer essas pesquisas?”, indagou-me já em tom furioso.

    Ato contínuo correu à porta traseira da sua camionete e de lá arrancou três calhamaços de papel que disse serem pesquisas “de verdade” que tinha em seu poder atestando a viabilidade da vitória da nora. Uma feita pelo seu marqueteiro André, outra por um instituto que Cássio Cunha Lima pagou e mandou fazer a seu pedido e outra da Datavox, instituto campinense do meu querido amigo Bruno Agra.

    Eu tive ainda a oportunidade de sugerir que ele (Karla, no caso) juntasse forças com Macarrão, porque nas pesquisas que eu vi Márcia Lucena se mantém na faixa dos 35/36 % e seria reeleita sem problemas, com a oposição a ela dividida como está.

    - “Isso é verdade”, concordou passando-me outras preciosas informações.

    - “A gente tá conversando, mas Múcio (tio financiador de Macarrão) tá ficando doido e só quer que a gente abra. E como é que a gente vai abrir tendo 25% e Macarrão sem passar de 10%? O que a gente combinou foi de abrir para o que tivesse melhor nas pesquisas, mas do jeito que ele quer não vai dar...”, concluiu com cara de desgosto.

    Pesado e pago o meu cará pisquei o olho pra minha mulher no carro buzinar me chamando e dele despedi-me.

    - “Peraí”, me segurou pelo braço censurando que “Múcio pensa que dinheiro resolve tudo”.

    - “Eu já vou, Aluízio, depois a gente conversa mais”, esquivei-me tentando livrar-me dos seus braços.

    Aumentando os decibéis da voz e falando não mais para mim mas para os barraqueiros e outras pessoas que haviam chegado, Aluízio era todo gritos:

    - “Rapaz, Múcio me ofereceu Três Milhões de Reais, me dava um apartamento de cobertura em João Pessoa no valor de R$ 1.400.00,00 e o resto em outras coisas aqui no Conde e eu disse a ele que não aceito. Isso é dinheiro demais. E outra coisa pra tu que não sabe quem é Macarrão: ele ainda moleque fumava e se drogava com força, nunca teve a carteira de trabalho assinada e nunca trabalhou em cargo público e por isso é um m.... que não sabe de nada”.

    Ainda tive tempo de deixar com ele uma pergunta, que não esperei pela resposta:

    - “Oxente, Aluízio, tu tás falando desse Macarrão que eu conheço ou daquele que eu acho seja o mesmo que foi teu vice candidato a prefeito quando Márcia Lucena te derrotou?

    Só ví que ele ficou espumando, mas para novo azar meu tive que parar no mercado de Dona Edy, que é o único em Jacumã que abre na hora do almoço, e quando vejo Aluízio estava outra vez batendo em minhas costas disposto a recomeçar a conversa. Fui salvo pelo gongo, digo, pela mulher outra vez, que correu ao caixa e me chamou, enquanto Aluízio difamava Macarrão perante outra plateia que como eu teve o desprazer de cruzar o caminho com ele.

    Ufaaa. É lamentável que o Conde ainda tenha política e políticos desse naipe!

  • MINHA GALINHA

    14/09/2020

    Fazer feira em Campina Grande é prazer que renova meu sábado a cada semana...

    Na de galinha procuro a mais gorda, mas às vezes me contenta uma franguinha que cozinhe rápido e possa come-la ainda no almoço acompanhada com feijão verde no cuscuz, batata doce, macaxeira e, à parte, a irresistível cabidela.

    Mas também escolho pato, perua e principalmente guiné, o velho ‘capote’ que não perde em sabor para nenhuma outra ave da face da terra. Nem p’ro Faisão, que eu nunca comi e nem quero comer!

    Foi Dona Virgilia, minha amada mãe, quem me introduziu ainda pirrititinho nesse mundo maravilhoso que integra parte do Mercado (feira) Central campinense, mais precisamente na censurada “Rua Boa” - a Manuel Pereira de Araújo onde reinava o Cassino Eldorado que agora em ruínas maltrata a memória de quem de fato ama e vive todas as entranhas de Campina Grande.

    Ontem à noite, após a LIVE com o amigo Olavo Macarrão em Carapibus, subi a Borborema a tempo de dormir no Itararé e cedinho acordar para me reenergizar nos mangaios da minha terra.     

    Saber escolher galinha gorda, a mais saborosa delas, aprendi em aulas práticas com Dona Pequena, a quem já comprei dezenas de penosas, algumas inclusive no fiado, dada a confiança que ela tinha no seu freguês certo.

    Hoje já não tenho mais a espevitada e amorosa velhinha soprando na ‘rua Boa’ as penas das galinhas por baixo das suas asas até encontrar a melhor delas e me garantir que a da veia mais grossa podia levar como garantia de divina gostosura.

    Dona Pequena ainda é viva e lúcida, mas seu frágil corpo não permite mais a sua presença na feira e ela, em casa, descansa junto aos seus mas, com certeza, saudosa de abraçar a mim e aos seus tantos outros fregueses de cada sábado – Paulo (Guerreiro) Dantas, Laércio Medeiros, Dona Socorro mãe de Ana Cláudia e muita gente fina mais, por exemplo!

    Me contento, à falta dela, com outras alegres vendedoras de pato, galinha, guiné e perus da Manuel Pereira de Araújo, uma delas ainda no alto dos seus mais de 90 anos no comecinho da feira de galinha - VÓ, como todos a chamamos, a corpulenta negra belíssima, raro espécime de ser humano que Deus na sua suprema generosidade mantém iluminando os sábados de todos nós.

    É isso, a galinha gorda de hoje comerei amanhã na mesa adornada com filhos e netos e um rubacão que cozinharei no capricho.  

    Com umas doses de Rainha, é mais do que óbvio!


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