RECRUDESCIMENTO DA CRISE (Por Júnior Gurgel)



O recado deixado pelo Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), em sua entrevista após o apagar das fogueiras do maior São João do Mundo - criticando o TSE e o Presidente Michel Temer, que sob seu prisma governa apenas para 200 Deputados Federais - na tentativa desesperada de evitar que a Câmara acate a denuncia do Procurador Geral da Repúbica, que o acusa de corrupção passiva, ficou claro ontem (06.07.2017) que se trata de um movimento orquestrado (motim). Querem “arrebatar” a todo custo o comando do Governo, em troca do apoio para permanência de Michel Temer, que ficará no cargo como “Rainha da Inglaterra”. FHC já tinha insinuado, através da mídia, que aconselharia o partido desembarcar do governo. O apoio tucano permaneceria, porém, se restringiria as votações das reformas.

As palavras de Cássio Cunha Lima foram endossadas pelo Presidente Interino de sua legenda, Senador Tasso Jereissati, admitindo coincidentemente ontem (06.07.2017) nas entrelinhas de uma coletiva com a imprensa, que o Deputado Rodrigo Maia – Presidente da Câmara - estaria mais preparado para promover as reformas necessárias exigidas para a retomada do crescimento econômico, como as leis trabalhistas e um novo sistema previdenciário.

Presidente Michel Temer resolveu de ultima hora, “descancelar” viagem para a Alemanha, encontro do G-20. Entregou o comando da nação ao Presidente do Senado Eunício Oliveira, em função da ausência do Presidente da Câmara Dos Deputados Rodrigo Maia, em visita a Argentina (?). De Buenos Aires, Rodrigo Maia em entrevista a imprensa local, admitiu pela primeira vez, que a denúncia contra o Presidente Michel Temer é grave, complicada, mas, como aliado e amigo, tentará defendê-lo. Será?

Enquanto alguns tucanos batem em revoadas aleatórias, desmanchando seu “ninho”, e sabotando o governo que apoia, o DEM – partido do Presidente da Câmara Rodrigo Maia - se alinha no discurso do insuspeito Senador Ronaldo Caiado, que argumenta de forma inconteste o afastamento de Michel Temer, alegando que ele vive hoje, os nefastos últimos dias de Dilma Rousseff. Em sua opinião, o Presidente perdeu as condições de governar. Mesmo que consiga os 172 votos necessários para que a Câmara dos Deputados rejeite o pedido de abertura do inquérito para investiga-lo sobre corrupção passiva, não formará a partir de então, maioria necessária para as mudanças exigidas pela economia internacional, “pedágio” cobrado pela “ratazana” do FMI, que se compromete em reclassificar o Brasil e disponibilizar créditos para que o país saia da atual recessão ou depressão econômica que o deixou totalmente engessado.

O curioso em todo este roteiro de “desencontros” são os “encontros” dos pouquíssimos membros do Parlamento, que enxergam além “oportunismo” instantâneo. No momento em que Tasso Jereissati sinalizava o desejo de abandonar o governo, o Senador João Alberto (PMDB-MA) Presidente do Conselho de Ética, mandava arquivar em definitivo o processo que pedia a cassação do tucano Aécio Neves, sobre os protestos de alguns de seus pares. Sequer pôs em votação. Aluísio Nunes, uma das mais brilhantes biografias do Senado da República, alicerçada em sua luta pela democracia, defendia a permanência do Presidente Michel Temer, para que uma possível “desordem” Constitucional não ensejasse uma crise Institucional.

Talvez o Senador Cássio Cunha Lima não tenha avaliado bem os desdobramentos pós-arquivamento do processo que pedia a cassação do Presidente do seu partido. Aécio Neves, como todo político mineiro é signatários do protocolo da gratidão. Não medirá esforços, para retribuir o gesto que recebeu do PMDB.

Em meio a toda esta confusão, o Parlamento parece que esqueceu que restam pouco mais de oitenta dias, para que um projeto de reforma política seja apresentado e votado em dois turnos, no Senado e Câmara dos Deputados. O prazo se expira em 03.09.2017. Pelas regras atuais - sem financiamento de empresas, fiscalização da máquina pública e com limites de gastos para pessoas físicas com candidatos - generosamente estimamos que 10% dos atuais membros do Congresso Nacional, renovem seus mandatos. Mesmo assim, com riscos de serem cassados posteriormente, por abuso de poder econômico. Com as denuncias da lava-jato e Joesley Batista, os eleitores de tanto ouvirem a palavra “bilhões”, sentiram-se traídos e enganados no último pleito. A “per capita” que em 2014 chegou em alguns casos a 100 reais será em 2018 no mínimo de 200 reais por cada candidato. Nos grotões já se “canta a bola”: mil reais por eleitor, para chapa fechada: Deputado Estadual, Federal, dois Senadores e Governador. Presidente é questão de paixão, não está à venda. É difícil de acreditar, e vergonhoso aceitar esta dura realidade... Mas, o exemplo veio de cima.

Enquanto não chega o “tsunami” 2018, o país paralisou. Deputados Federais (Chacais de sempre) fazem a festa, em suas “caçadas solitárias”, visitando o Palácio do Planalto ou Jaburu. Serão dois momentos de “sangria” nos cofres públicos: votação na CCJ e Plenário da Câmara. O Diário Oficial circulará com edições extras. Liberação de emendas, recursos orçamentários e extra-orçamentários, nomeações em massa. Nas mãos desta turma, o mapa do PT e os 20 mil cargos comissionados que existiam – alguns ainda sobrevivem – passarão doravante a ser exigidos como “moeda de troca” para que Temer permaneça Presidente. Por que a democracia tem nos custado tão cara?

Dando um giro de 360 graus, Lula já entrou abertamente em defesa de Temer, tentando evitar seu afastamento e uma eleição indireta. Prováveis candidatos serão o Ministro Henrique Meirelles – homem de confiança de nossos patrões (Wall Street e Banca do FED); Rodrigo Maia, que dividiria o “bolo” com seus pares da Câmara, promovendo um verdadeiro “carnaval fora de época”; e finalmente a repetição histórica do que ocorreu em Israel (2007) com a volta de Simon Perez (no Brasil FHC), exatamente aos 84 anos, cumprindo um mandato (pacificador) de sete anos, no período mais crítico da história política de Israel, que esteve à beira de uma divisão interna ou intervenção Militar.




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