POSTURAS CONFLITANTES (Por Júnior Gurgel)



Em sua última entrevista divulgada através dos sites políticos da Paraíba o senador Cássio Cunha Lima – desfrutando o seu melhor momento em nível nacional – enfatizou sua simpatia e conforto como aliado do PMDB. E destacou que se arrependeu em não ter se aliado a legenda desde 2014. O que seria “de volta prá casa”.

A história do clã político que hoje Cássio lidera, teve suas origens no “MDB” (1968) antes do “P” (1980).

Dois dias depois, na festa de Santo Antônio na cidade do Piancó (13.06.2017), estava Romero Rodrigues, prefeito de Campina Grande, fazendo campanha “subliminar” sobre sua possível postulação em 2018 com vistas ao Governo do Estado. Particularmente acreditamos que Romero tenha chances de disputar, porém se faz necessário primeiro assumir que é candidato. Seus passos e comportamento se assemelham aos de Cássio Cunha Lima nas eleições do ano 2002. A diferença é que Cássio quando botou o pé na estrada apregoou sua candidatura e disposição de enfrentar seja lá quem o fosse. A ousadia sempre foi parturiente do sucesso. Recordo-me que ouvi numa manhã (2001) o então prefeito Cássio Cunha Lima, numa entrevista radiofônica na Rainha da Borborema, cobrando do governador José Maranhão o ICMS que a cidade tinha perdido com a Lei Robin Wood (autoria de Wilson Santiago) redistribuindo o ICMS. E em seguida, confirmando enfaticamente que era candidato a governador. Imaginamos que seria loucura. O poeta convalescente (fora de combate), boa parte de seu exército tinham-no abandonado e estavam nas fileiras “maranhistas”. Como “estrutura”, só tinha a Prefeitura de Campina Grande para apoiar a empreitada. Era muito pouco. Cícero Lucena ainda não tinha manifestado publicamente seu apoio a Cássio, e diariamente era assediado pelo governador José Maranhão – resistindo o “canto da sereia” – que sugeria através de seus porta-vozes a possibilidade de apoiá-lo em sua sucessão, desde que se filiasse ao PMDB.

Enquanto Cícero Lucena fazia a “caminhada de Compostela”, ritual místico alquímico - talvez em busca de uma solução para seu dilema político/partidário - Cássio claramente interpretava as mensagens de autoestima da obra de Paulo Coelho “Diário de um Mago”. Ou, estava lendo Og Mandino - pai da literatura de autoajuda - autor do livro “O Maior Vendedor do Mundo” (40 milhões de exemplares). Mandino ensina que o sucesso do vendedor está na capacidade dele ser o primeiro comprador. Se ele não comprar sua própria ideia, não transmitirá confiança a seus futuros clientes, ou compradores. Cássio comprou a sua ideia de ser governador, e conquistou a confiança do povo da Paraíba que acreditou no seu projeto.

O que ainda não ficou claro - isto é ruim para Romero Rodrigues - é se ele é o candidato do PSDB, apoiado por Cássio Cunha Lima, com ou sem aliança “encostada” no PMDB de José Maranhão. Atualmente, “turbinado” pelo deputado federal Rômulo Gouveia, Romero Rodrigues tenta repetir o “script” de 2002, quando o ex-gordinho licenciou-se da Assembleia Legislativa para vir chefiar o Gabinete do então prefeito Cássio Cunha Lima, passando a administrar politicamente a gestão e liberando o pré-candidato para percorrer todos os municípios da Paraíba por três vezes, até 03 de outubro de 2002. Rômulo Gouveia tem (?) ou “tinha” nas suas mãos o destino do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, por ter viabilizado sua gestão depois que o mesmo aterrissou no PSD de Gilberto Kassab. Escudado por Rômulo Gouveia, Luciano Cartaxo arrancou 14 milhões de reais só do Ministério do Turismo, vésperas da cassação da Presidente Dilma Rousseff, gestão do ministro gaucho Alessandro Teixeira (na época esposo da Miss Bumbum). Fez uma “varredura” nos demais ministérios, com apoio irrestrito de Kassab, fato que o prestigiou para fazer indicações no primeiro escalão da PMJP. Certamente Cássio Cunha Lima - contrariado - sabia e observava tudo a distância. O trabalho de Kassab, que tinha endosso de Dilma Rousseff, era subtrair lideranças importantes do PMDB e PSDB, para enfraquecer as duas legendas que ela detestava. José Maranhão nada podia fazer para impedir os atos de Kassab e Rômulo Gouveia. Mas, foi só uma questão de tempo.

Pelo seu discurso e postura, Cássio Cunha Lima está “casado” com o PMDB até que final de 2018 os separe. Pouco mais de um ano, os acontecimentos tiveram mudanças radicais. Cássio Cunha Lima tornou-se líder do PSDB no Senado, e ao lado de José Maranhão assumiram o comando das liberações de recursos para a Paraíba, reduzindo drasticamente o prestigio do ex-gordinho. Luciano Cartaxo, para continuar sua gestão - até o momento exitosa - terá que ter as bênçãos dos “padrinhos” Cássio e Maranhão, para que não seja cortado o fluxo de recursos vindo de Brasília. Kassab, no momento, é bem menos influente que a força do tucano Cássio, ao lado de José Maranhão. Que o diga Raimundo Lira, “rifado” em sua pretensão: CCJ do Senado.

Enquanto isto, José Maranhão espera um “gesto” do tucano Cássio Cunha Lima, lançando-o candidato a governador, e em contrapartida, o tucano recebendo seu apoio para o Senado da República. O “cacique” peemedebista controla sua legenda com punho de aço. E Cássio, ainda tem hoje a mesma força no PSDB-PB?




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