CÁSSIO CUNHA LIMA (Por Júnior Gurgel)



Leitores ficaram perplexos com as recentes declarações do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), extraídas de entrevista concedida a uma emissora de rádio da Capital, reproduzida e postada através de todos os sites, blogs e grupos do Whatsapp da Paraíba. Enfatizou o tucano que “o Brasil tem pouco mais de 200 milhões de habitantes e o Presidente Michel Temer está governando apenas para 200 (Deputados Federais)”.

Mais adiante o senador criticou o TSE por não ter punido (inequivocamente com cassação) a chapa Dilma/Temer.

Será que sua nova postura se transformou em rebelde/oposicionista? Ou suas observações se restringem somente às divisas da Paraíba? Doravante se pronunciará com o mesmo discurso (em nível nacional) na tribuna do Senado? Seu partido (PSDB) que sempre esteve em cima do muro resolveu pular em defesa da democracia e do Presidente Michel Temer (PMDB), no momento certo (impeachment), com o propósito “cívico” de defenestrar o populismo “bolivariano” – instalado há quatorze anos no poder – com nítido projeto de perpetuação. Salvar o que ainda resta do país - hoje no fundo do poço - e pelo que ora se percebe, ameaçando afogar toda a sua elite política em sua própria lama, foi um ato de coragem dos tucanos, obstinados em evitar um retrocesso institucional, desta feita bem mais atroz, duradouro e violento.

A sabedoria popular ensina que existem três acontecimentos irreversíveis: a flecha desferida, a palavra proferida e a oportunidade perdida. As críticas do senador Cássio Cunha Lima poderão ser convertidas em “munição” para o disciplinado e “desconfiado” cacique do PMDB-PB José Maranhão, e o novo líder deste partido no Senado Federal, (oportunista e sortudo) senador Raimundo Lira.

Num esforço gigante, a Comissão de Ética do Senado deu as costas à opinião pública e mandou arquivar o pedido de cassação do mandato do senador Aécio Neves, amigo de Cássio Cunha Lima e presidente do PSDB. O empenho do PMDB foi imprescindível. Se acatassem a sugestão de cassarem Aécio, 65 dos 81 senadores da República teriam o mesmo destino. Mais dias, menos dias... Todos iriam (involuntariamente) se apear de seus mandatos. Repetir-se-ia o fato histórico do pastor Muller (Munique) na Alemanha nazista, nos estertores de sua derrocada na II Guerra. Confessou o pastor ao ser libertado pelos aliados: primeiro eles (SS/Gestapo) vieram e levaram meu vizinho da direita. Era comunista, eu não era. Depois retornaram e levaram o da esquerda. Era judeu, eu não era. Até que um dia vieram e me levaram.

Não se sabe até onde irá parar toda esta onda “paranoica” de denuncismo, criminalização e vulgarização das nossas referências (líderes) que balizam a sociedade brasileira. Pelo que divulgam e “delatam”, todos estão na vala comum (Poderes Legislativo e Executivo e empresários) como delinquentes de alta periculosidade.

Em tempo hábil o corajoso ministro do STF Marco Aurélio de Melo desfez um ato de seu colega Edson Fachin e devolveu todas as prerrogativas para o neto de Tancredo, cujo destino previsto esperava-se ser o mesmo do ex-senador Delcídio do Amaral e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. A lei é aplicada para punir e, sobretudo inibir, os pretensos candidatos a entrarem no mundo das transgressões (leia-se corrupção). Como num quadro de guerra, a finalidade dos exércitos em campos de batalhas não é eliminar todos os inimigos. Feri-los e baixar o moral da tropa desencoraja o combatente, que provocará a rendição.

Infelizmente, membros do Congresso Nacional – eleitos após a redemocratização - na sua obtusa e insana ganância de se eternizarem em seus mandatos perderam a identificação com o eleitor, na mesmice de um comportamento ambíguo. Em Brasília legislam para Suíça, em seus Estados – sem credibilidade – compram os votos. Criaram um roteiro para o crime (doações de dinheiro para suas campanhas), cometeram o crime (compra de votos do Oiapoque ao Chuí), ensejaram suas condenações (caixa dois) e escolheram seus próprios presídios, paradoxalmente para não serem trancafiados (Foro Privilegiado). Talvez muitos se pudessem deixariam a vida pública. Mas, sem o Foro? Seus destinos seriam os mesmos de Gedel, Henrique Eduardo; José Dirceu; Antônio Palocci; Sérgio Cabral; Pedro Correia...

Buscar apoio popular, criticando um modelo desenhado ao longo das últimas décadas por eles mesmos, na opinião do eleitor pós-lava-jato é demagogia barata.

Senador Cássio Cunha Lima nos três últimos pleitos obteve expressiva votação acima de um milhão de votos. Seu eleitorado é da geração “Xuxa”. Foi eleito Deputado Federal com 21 anos como Cássio “coisa linda”. Prefeito de Campina Grande, como o “menino de Ronaldo”. Seus seguidores hoje quarentões continuam tão fiéis quanto os sexagenários da Jovem Guarda de Roberto e Erasmo Carlos. Evidente que precisa consultar seu marqueteiro – em nossa opinião o melhor do Brasil (Zé Maria da Mix. Ou, ex-Mix).

Pesquisas irão orientá-lo como conquistar os votos da faixa etária dos 16 aos 35 anos geração das redes sociais, que ora desprezam por completo o tema político e seus protagonistas. Uma “repaginação” em sua imagem é absolutamente necessária para evitar o anacronismo precoce, provocado pelo tempo de exposição.

Discurso contra o Governo Federal que seu partido apoia deixa-o em saia justa. Gera desconfiança no PMDB-PB, legenda que recentemente segundo suas próprias palavras “arrependeu-se de não ter se coligado com ela desde 2014”. Ilações estão surgindo sobre a possibilidade da união do PSDB com o PSB, mais uma vez. Ricardo Coutinho senador ao lado de Luciano Cartaxo e Cássio Cunha Lima governador. A vice Lígia Feliciano renunciaria e assumiria uma vaga no TCE, substituindo o conselheiro Arthur Cunha Lima, que seria candidato a Deputado Federal fazendo dobradinha com seu filho, hoje deputado estadual. Romero Rodrigues seria vice de Cássio, ou voltaria para a Câmara dos Deputados. Assumiria o Governo João Azevedo, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, hoje comandada por Gervásio Filho. Impossível? Não. Difícil foi trazer o PT com Cozete como vice, nas eleições de 2000. Mas, os riscos terão que ser muito bem avaliados. Maranhão pode formar um “frentão” e sem prejuízos de ficar sem mandato endurecer o pleito para a vaga de governador.




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