AS FLECHAS DE JANOT (Por Júnior Gurgel)



Em sua última aparição festiva, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot participou de um evento onde estavam presentes os protagonistas da grande mídia nacional, ocasião em que foi entrevistado pela jornalista Renata Loprete (Globo News), que indagou sobre seus últimos atos, antes da posse de sua sucessora Raquel Dodge, com quem tem uma animosidade funcional acerca do funcionamento da instituição.

A resposta deixou os presentes perplexos: “enquanto houver bambu, haverá flechas”. Palavras proferidas num tom “Jihadista”, revelando sua mais completa aversão à classe política - democraticamente eleita pelo voto – porém “satanizada” pelo titular da PGR, que raciocina (pelo que proferiu) como o Estado Islâmico em sua rude e cruel perseguição aos cristãos.

Pelo que entendemos, Rodrigo Janot agindo com desprezo e revanchismo irá limpar suas gavetas e prateleiras (Bamburral) atirando flechas aleatoriamente em todas as direções, sem antes examinar a fragilidade das denúncias, cuja maioria está repleta de conteúdos capciosos. Poucos, ou talvez quase nenhum dos atuais congressistas, estejam protegidos com escudos adequados para escaparem desta “chuva de flechas”. E, como serão lançadas em todas as direções, governadores dos Estados, prefeitos; deputados estaduais; o próprio Ministério Público, sem contar com uma grande surpresa, hoje temor do Poder Judiciário, que poderá ter sua “caixa preta” aberta.

Um destes dardos de Janot atingiu em cheio o deputado federal Rômulo Gouveia (PSD-PB), ação penal da PGR 952/PB datada de 1 de fevereiro de 2017. Na denuncia oferecida ao STF - já em mãos do relator - que aguarda apenas a ordem do dia, o deputado Rômulo Gouveia será julgado ironicamente pelo tão estimado foro privilegiado. A PGR foi implacável, pede condenação e prisão por improbidade administrativa - supostamente praticada pelo “gordinho” - em processos licitatórios quando presidiu a ALPB por dois mandatos consecutivos, ou quatro anos.

Além do constrangimento causado pela ação penal – danifica sua imagem parlamentar até então bem preservada – o ferimento pode deixá-lo fora de combate por algum tempo, caso venha ser condenado pelo STF, fato que o tornará inelegível para o pleito de 2018. Não existe outra instância que possa salvá-lo “liminarmente” para concorrer, aguardando a decisão do mérito.

A especulada condenação de Rômulo Gouveia muda literalmente o quadro das disputas no Estado, criando oportunidades para os atuais e futuros concorrentes invadirem e ratearem suas bases, trazendo subsequentemente o enfraquecimento da causa que vinha patrocinando (Romero Rodrigues governador). Luciano Cartaxo herdará o comando da legenda, e tomará a decisão que lhes convier, inclusive aliando-se a Ricardo Coutinho.

As Assembleias Legislativas já vinham sendo alvo do Ministério Público há quase uma década, desde o escândalo do Estado de Rondônia. Rio Grande do Norte está no olho do furacão, Minas Gerais... Até a Câmara Distrital de Brasília. Mas, as investigações vinham se desenvolvendo de modo cauteloso, sem alardes e na busca de “materialidade” concreta para solidificar as denuncias. O que não se esperava era a “despedida” de Janot. Temos a convicção que muitos dos ex-presidentes do Poder Legislativo dos demais Estados estão desfrutando o mesmo desconforto, que ora deve perturbar o deputado federal Rômulo Gouveia. Porém, apenas o “gordinho” tinha brilho e espaço na esplanada dos Ministérios. Braço direito de Gilberto Kassab, membro respeitado na cúpula do partido, Rômulo pode ter sido vítima da “exposição” em função de sua aproximação com o ex-prefeito paulista, também investigado com desprezo por Janot, e só Deus sabe o tempo de cadeia que a PGR pedirá para ele.

A grande maioria dos amigos de Rômulo - mais próximos - está em estado de choque com a notícia. Os demais ignoram o fato, alegando que o gordinho “muito abraça, mas, pouco aperta”. Todavia, a maioria de seus (supostos) aliados, e adversários está no mínimo satisfeitos e torcendo por uma condenação que o deixe fora das eleições de 2018. Já começaram a descaracteriza-lo como “vítima”, que mereça reparação. Traduzindo: não aceitam sua esposa Eva em seu lugar. Os Regos, Cássio Cunha Lima; Ricardo Coutinho; Raimundo Lira; José Maranhão e Luciano Cartaxo têm motivos para celebrarem este nefasto evento, caso ocorra o pior, sua condenação.

Com apoio de quase 70 Prefeitos, Romero Rodrigues vê engessada – pelo menos por enquanto – sua postulação ao Governo do Estado, com o apoio de Luciano Cartaxo. A “carta na manga” era Rômulo Gouveia e o PSD. Caso o PSDB sinalizasse que não endossaria seu projeto, Romero desembarcaria em setembro próximo do “ninho tucano” e ingressaria no PSD como Presidente do Diretório Regional (PB). Situação que deixaria Luciano Cartaxo encalacrado, e com seu destino nas mãos da dupla Rômulo/Romero.

Segundo adágio popular, “todos os caminhos levam a Roma”. Aqui na “pequenina” (Paraíba) até os imprevistos contribuem para mais um enfrentamento Cássio Cunha Lima x Ricardo Coutinho. Não importa a posição de candidatos, em suas respectivas chapas. Mas, os dois generais que se enfrentarão têm currículos para o combate. São os únicos que ultrapassaram a barreira de mais de um milhão de votos em duas eleições seguidas (2010/2014). Quanto ao “gordinho”? A fé é imortal.




Comentários


  • airtoncg 17.07.2017
    nao entendi direito, mas o senhor está querendo dizer que não é prá ser aberta a caixa preta dessas corporaçãoes,que só cidadãos comuns pode ser alcançado pela lei, estou vibrando com essas investidas da pgr, políticos e demais membros de poderes devem viver dos seus salários, e deixar de surrupiar o dinheiro do povo. Gostaria de um comentário a respeito.

Comentar


Sidebar Menu